ENTREVISTA-Dólar alto ajuda crescimento, mas concessões são decisivas, diz Delfim

segunda-feira, 15 de julho de 2013 19:30 BRT
 

Por Patrícia Duarte e Cesar Bianconi

SÃO PAULO, 15 Jul (Reuters) - A recente alta do dólar beneficia a indústria nacional e dá sobrevida à economia brasileira, ao levar à troca de produtos importados por locais, mas o crescimento adiante depende do sucesso dos leilões de infraestrutura no país, avalia o economista e ex-ministro Antonio Delfim Netto.

"A indústria está murcha e é o único setor onde você ainda tem, talvez, recursos para expandir um pouco a produção, porque você durante anos substituiu a produção industrial por importações", disse Delfim à Reuters nesta segunda-feira.

Ele acredita que o dólar mais forte --a divisa norte-americana acumula alta acima de 13 por cento sobre o real desde maio-- não vai ter grande efeito sobre as exportações, já que a renda do mundo está caindo ou estagnada. Mas é possível esperar substituição de importados, "o que daria um certo alento para o crescimento industrial e se reproduziria nos outros setores".

A balança comercial brasileira acumula déficit de 3,5 bilhões de dólares no ano até a segunda semana de julho, ante superávit de 7,8 bilhões de dólares no mesmo período do ano passado. O rombo se deve ao aumento de 8,5 por cento nas importações, enquanto as exportações recuaram 0,9 por cento no mesmo período.

"Você tem que começar a pôr fogo na fogueira, daí você tem uma coisa imediata, digamos em seis meses. Agora, o grosso do investimento só vai acontecer se os leilões de concessões forem um sucesso", afirmou Delfim, um conselheiro próximo da presidente Dilma Rousseff.

O governo federal aposta numa série de licitações de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos para acelerar a economia, em projetos com investimentos totais de mais de 200 bilhões de reais.

Para Delfim, o governo peca ao querer fixar a qualidade dos projetos de logística e também a taxa de retorno dos investidores privados nesses leilões.

"Leilão não é coisa para amador, é coisa para profissional. Eu acho que o governo ainda continua com um certo amadorismo nesse sistema", disse, acrescentando que o governo "está aprendendo" sobre o assunto.   Continuação...

 
O economista e ex-ministro Antonio Delfim Netto concede entrevista à Reuters nesta segunda-feira em São Paulo. 15/07/2013 REUTERS/Paulo Whitaker