July 18, 2013 / 10:16 PM / in 4 years

Governo de Portugal supera moção de desconfiança, mas crise prossegue

3 Min, DE LEITURA

Por Andrei Khalip e Shrikesh Laxmidas

LISBOA, 18 Jul (Reuters) - A coalizão de centro-direita que governa Portugal derrotou com facilidade nesta quinta-feira uma moção de desconfiança parlamentar, demonstrando ter recuperado a unidade após divergências internas neste mês.

Mas a crise está longe de encerrada e os três principais partidos continuam negociando um acordo que permita ao país manter a ajuda financeira recebida da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional. A votação no Parlamento, no entanto, elimina pelo menos um elemento de incerteza.

Durante visita a uma remota ilha portuguesa, o presidente do país, Aníbal Cavaco Silva, que convocou discussões sobre um pacto de "salvação nacional", se disse confiante num acordo interpartidário.

O Partido Socialista, o principal da oposição, e dois partidos de esquerda menores votaram a favor da moção, que reuniu apenas 87 dos 230 votos. Todos os deputados presentes do Partido Social Democrata (governo) e do aliado direitista CDS-PP votaram contra a moção, apresentada pelo Partido Verde.

Os socialistas e os dois partidos governistas se impuseram um prazo até domingo para concluir as negociações de crise convocadas por Cavaco, que deseja um apoio multipartidário ao resgate financeiro internacional até meados de 2014, e então eleições antecipadas.

O presidente disse haver um "empenho determinado em chegar a um entendimento, embora não possamos ignorar que esta é uma negociação complexa e difícil". Ele elogiou "o sentido de responsabilidade que todos o partidos estão a demonstrar".

Os socialistas dizem que seu apoio à moção de desconfiança é consistente com uma posição adotada em abril, sem afetar as negociações. Eles admitiram que a iniciativa acabou sendo "um favor irrevogável a esse governo falido", no dizer do líder parlamentar Carlos Zorrinho.

O líder da bancada social-democrata, Luis Montenegro, afirmou que a rejeição da moção faz com que "o governo naturalmente se sinta fortalecido pelo Parlamento para continuar exercendo suas funções".

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, defendeu a atuação do seu governo, dizendo que a economia pode ter finalmente crescido no segundo trimestre, após uma grave recessão causada pelas medidas de austeridade exigidas por credores internacionais.

Analistas dizem que o acordo pluripartidário é possível, mas que deverá conter concessões aos socialistas em questões de austeridade, especialmente a respeito do plano de cortar 4,7 bilhões de euros dos gastos públicos até o fim do ano que vem. Essas concessões teriam de ser aprovadas também pelos credores.

Reportagem adicional de Sergio Gonçalves e Daniel Alvarenga

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