19 de Julho de 2013 / às 14:28 / 4 anos atrás

Ação conjunta de Brics em cúpula do G20 pode ser ideia otimista

Por Alonso Soto e Katya Golubkova

BRASÍLIA/MOSCOU, 19 Jul (Reuters) - As principais economias emergentes do mundo mostraram preocupação nesta sexta-feira com os efeitos de contágio provocados pela turbulência financeira, mas os planos de uma ação conjunta para conter isso permaneceu apenas na ideia.

Um êxodo de capital de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, provocados por uma esperada redução do estímulo monetário dos Estados Unidos, tem levantado temores sobre a condição de suas economias, que já estão perdendo parte de sua força.

A reversão do “tsunami monetário” --a maneira como o Brasil chamou a inundação de dinheiro barato dos países desenvolvidos-- levou a presidente Dilma Roussef a telefonar a seu colega chinês em junho, para discutir uma “ação coordenada” para compensar a forte apreciação do dólar norte-americano.

“Todos os países dos Brics estão preocupados com os contágios”, disse o ministro russo das Finanças, Anton Siluanov, a repórteres depois após receber as discussões com países emergentes.

Há razões para os Brics se preocuparem. Saídas maciças de capital têm enfraquecido suas moedas, elevando as pressões inflacionárias e forçando Brasil e Índia a apertarem a liquidez em um momento em que suas economias estão tendo desempenho abaixo da média.

A reunião das 20 principais economias mundiais era para ser o palco para os Brics discutirem e proporem medidas conjuntas para limitar o impacto de uma moeda mais forte.

Entretanto, ao contrário de seus correspondentes mais ricos no G7, os Brics ainda estão longe de coordenar a política monetária ou de intervir em conjunto nos mercados de câmbio, e nesta sexta-feira não houve nenhuma ação conjunta para ser anunciada.

Os Brics surpreenderam muitos ao começarem a trabalhar em um fundo de reserva de 100 bilhões de dólares e um banco de desenvolvimento conjunto para remodelar a arquitetura financeira global, há muito tempo dominada pelas nações ricas. Essas novas instituições ainda levarão algum tempo para se materializarem.

Uma autoridade dos Brics em Moscou afirmou diretamente: “Não há discussões dentro dos Brics sobre medidas para enfrentar um dólar mais forte...Só queremos travar o que já concordamos.”

O secretário de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda brasileiro, Carlos Márcio Bicalho Cozendey, disse que a pressão para uma ação conjunta diminuiu após o chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, ter dado garantias de que o banco central norte-americano não vai correr para encerrar seu programa de estímulo monetário.

“Esperamos que a situação se normalize e que o mercado entenda melhor quais são as intenções das autoridades norte-americanas”, disse ele a repórteres.

Em sua última cúpula na África do Sul neste ano, os Brics, que representam um quinto da economia global, desapontaram muitos com o que pareceu ser uma falta de convicção para criar novas instituições.

As autoridades dos Brics minimizaram as críticas, dizendo que leva tempo para construir instituições sólidas. O fundo de reservas deve ser formalmente lançado na cúpula dos Brics no Brasil no ano que vem, e pode levar anos para o banco começar a emprestar dinheiro.

O Brasil, uma das principais forças por trás dos projetos, não enviou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para o G20 nessa semana, para que, em vez disso, ele pudesse se concentrar em problemas domésticos.

Em sua última avaliação da economia mundial, o Fundo Monetário Internacional cortou sua estimativa de crescimento para 2013 da Rússia de 3,4 por cento para 2,5 por cento. Para o Brasil, a expectativa é de crescimento de 2,4 por cento, ante 7,5 por cento há três anos.

“Os Brics só vão perseverar como grupo... se esses países continuarem a crescer”, disse Marcos Troyjo, ex-diplomata brasileiro que é codiretor do BRICLab da Univerisdade de Columbia.

Reportagem adicional de Lidia Kelly, em Moscou

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