Brasil retoma embarques de milho; ritmo de novos negócios ainda fraco

sexta-feira, 19 de julho de 2013 15:59 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 19 Jul (Reuters) - Após fracos embarques de milho desde abril, o mercado global começará a ver mais cereal brasileiro sendo exportado entre o final deste mês e agosto, com a programação de navios nos portos indicando a saída de 3,5 milhões de toneladas, um volume equivalente a quase metade do total vendido ao exterior no primeiro semestre.

No entanto, essas exportações previstas para as próximas semanas são em sua maioria de negócios feitos anteriormente. Novos acordos para vendas externas tiveram ritmo apenas moderado nos últimos dias, com os preços fracos dando pouco incentivo às vendas, ao mesmo tempo em que os compradores não estão agressivos, confiando em uma grande safra dos EUA no final do ano, disseram integrantes do mercado.

"As exportações de milho começam a ganhar força na segunda quinzena de julho. Este ano deve demorar um pouco mais, por atrasos na colheita, como por exemplo em Goiás. Além disso, não estão saindo negócios, não como no ano passado", afirmou a analista da consultoria AgRural Daniele Siqueira.

As exportações de milho do Brasil --que em condições normais de clima é o segundo exportador global, atrás dos EUA-- foram fortes no primeiro trimestre de 2013, no embalo do recorde anual de quase 20 milhões de toneladas de exportações do cereal em 2012. Mas depois os embarques perderam ritmo no segundo trimestre, com a soja tomando espaço nos portos brasileiros, em meio à grande demanda internacional pela oleaginosa.

Agora, com o Brasil já tendo exportado no ano 75 por cento do que espera vender de uma safra recorde de soja, as movimentações de milho estão sendo retomadas nos portos. Mas o ritmo de negócios, pelo menos por ora, não indica vendas de milho explosivas no segundo semestre, com o mercado apostando em embarques entre 15 milhões e 17 milhões de toneladas.

No primeiro semestre, o país exportou 8,4 milhões de toneladas do cereal, a maior parte nos primeiros meses do ano.

"Tem saído negócios, o mercado não parou não, mas os preços estão bem mais baixos", disse um corretor do Paraná, na condição de anonimato, ressaltando que nos portos os pedidos são para 25 a 26 reais por saca, enquanto o vendedor quer 27 reais.

"Deu uma parada boa, os preços caíram bem, então deu uma parada, o pessoal está tendo problema de qualidade (no Paraná, pelas chuvas). Em uma semana, o preço no porto recuou 2 a 3 reais (por saca), o vendedor está querendo colher, e o comprador não está agressivo", afirmou um segundo corretor.   Continuação...