Reforma na China pode ser escudo para estatais e governos locais endividados

domingo, 21 de julho de 2013 12:45 BRT
 

Por Wayne Arnold

HONG KONG, 21 Jul (Reuters) - A muito celebrada decisão da China na semana passada de liberar as taxas de empréstimos bancários acabou levantando suspeitas de que se trata de um reflexo das preocupações do governo com possíveis calotes e teria como objetivo ajudar estatais e governos locais endividados.

O banco central da China anunciou na sexta-feira que os bancos poderiam passar a emprestar com as a taxas que desejassem. Dessa forma, os bancos aumentariam a sua competitividade num momento em que a segunda economia do mundo está reduzindo de forma clara o seu ritmo de crescimento.

No entanto, alguns investidores afirmam que a medida foi simbólica e provavelmente um alívio, pelo menos a curto prazo, para estatais muito endividadas, para os grandes empregadores do setor privado e governos locais.

"Eu sou um pouco cético em relação aos elogios de que isso é uma grande, grande reforma", declarou Patrick Chovanec, diretor e estrategista da Silvercrest Asset Management, de Nova York, e ex-professor universitário na China.

"Minha preocupação a curto prazo é que governos locais vão conseguir financiamento com juros menores", acrescentou.

Investidores que atuam na China afirmam que, pelo seu momento, as reformas talvez estejam menos relacionadas com créditos bancários e mais com garantir que velhos empréstimos sejam pagos.

"Eles estão muito preocupados com a redução do ritmo e com calotes", disse um investidor europeu em Cingapura, que pediu para não ser identificado para não prejudicar a relação do seu banco com Pequim.