22 de Julho de 2013 / às 09:49 / 4 anos atrás

Bradesco lucra R$2,98 bi no tri, corta previsão para crédito

Por Natalia Gómez

SÃO PAULO (Reuters) - O Bradesco cortou as previsões de crescimento da sua carteira de crédito em 2013, em meio ao desempenho mais fraco da economia brasileira, que no segundo trimestre já criou um cenário mais desafiador para o segundo maior banco privado do país.

Ao reportar um lucro líquido recorrente de 2,978 bilhões de reais nesta segunda-feira, praticamente em linha com os 3,02 bilhões estimados por analistas consultados pela Reuters, o banco anunciou que espera um crescimento da carteira de crédito de 11 a 15 por cento neste ano, abaixo da previsão anterior, de avanço de 13 a 17 por cento.

Além do menor avanço do crédito, o cenário mais desafiador da economia também vai se refletir na margem financeira. Antes prevista para ficar entre 7 a 11 por cento neste ano, agora deve se situar entre 4 e 8 por cento.

Na comparação com o segundo trimestre de 2012, o lucro recorrente do Bradesco de abril a junho mostrou alta de 3,9 por cento e subiu 1,2 por cento ante o primeiro trimestre do ano.

O avanço no lucro foi sustentado por melhora nos prêmios de seguros e das receitas com prestação de serviços, que ajudaram a compensar a menor taxa de juros e as maiores provisões para perdas com inadimplência.

Os prêmios de seguros, previdência e capitalização tiveram alta de 14,4 por cento na comparação com o segundo trimestre do ano anterior, e de 21 por cento em comparação com os três primeiros meses do ano.

Já a receitas de prestação de serviços avançaram 16,4 por cento na comparação anual e 8,3 por cento na mensal, reflexo do empenho da instituição em elevar receitas em um cenário de menores margens nas operações de crédito.

Maiores receitas com serviços e menores custos devem ser vistos ao longo do ano, segundo o Bradesco, que elevou a previsão de crescimento de receita com prestação de serviços em 2013 de 9 a 13 por cento para 12 a 16 por cento. As despesas operacionais devem crescer 2 a 6 por cento no ano, abaixo da previsão inicial de 4 a 8 por cento.

GANHOS COM TESOURARIA DESABAM

De acordo com o demonstrativo divulgado pelo banco, um fator que prejudicou seu resultado foi o menor ganho com operações de tesouraria, que somaram 18 milhões de reais no trimestre, enquanto no mesmo trimestre do ano passado foram de 516 milhões de reais.

O retorno sobre patrimônio líquido médio (ROE), usado como parâmetro de avaliação da rentabilidade dos bancos, foi de 18,8 por cento, abaixo dos 20,6 por cento obtidos no mesmo trimestre de 2012 e menos que os 19,5 por cento dos três primeiros meses de 2013

No segundo trimestre, a carteira de crédito somou 402,52 bilhões de reais, alta de 10,3 por cento ante o mesmo intervalo do ano passado e de 2,8 ante o resultado de janeiro a março.

Para reduzir os riscos, o banco procurou concentrar seu foco em modalidades mais conservadoras de crédito. Com isso, o crédito para veículos caiu 9 por cento, enquanto linhas mais seguras como o crédito consignado e o financiamento imobiliário cresceram 26 e 31,6 por cento, respectivamente.

A inadimplência acima de 90 dias no segundo trimestre foi de 3,7 por cento, ante 4,2 por cento um ano antes e 4 por cento no primeiro trimestre. As provisões para perdas com calotes somaram 21,45 bilhões de reais, alta de 3,7 por cento ante o mesmo intervalo do ano passado e praticamente estável sobre o início do ano.

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