Governo anuncia corte adicional de R$10 bi em 2013

segunda-feira, 22 de julho de 2013 20:21 BRT
 

Por Luciana Otoni e Alonso Soto

BRASÍLIA, 22 Jul (Reuters) - O governo federal anunciou nesta segunda-feira o contingenciamento adicional de 10 bilhões de reais no Orçamento deste ano, montante considerado insuficiente para restabelecer a credibilidade da política fiscal e auxiliar o Banco Central a conter a inflação.

Os novos cortes poupam os programas considerados prioritários pelo governo e as emendas parlamentares, mas atingem despesas obrigatórias que, em parte, serão realizadas nos próximos anos.

Com o novo corte, o contingenciamento total do Orçamento deste ano será de 38 bilhões de reais -- 28 bilhões de reais já haviam sido anunciados em maio --, abaixo do corte de 55 bilhões de reais realizado no ano passado.

"Se quisesse restaurar a credibilidade na política fiscal, teria que anunciar um contingenciamento maior", afirmou o economista da Rosenberg Associados Rafael Bistafa. "O efeito disso na economia real também é tímido porque não é capaz de conter a demanda agregada e assegurar a inflação mais baixa", acrescentou.

O governo tem sido bombardeado com críticas à sua política fiscal expansionista e desempenho ruim das contas públicas nos primeiros meses do ano, afetadas tanto pelo mau desempenho da economia quanto pelas desonerações feita para estimular a atividade.

Neste fim de semana, o próprio presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, pediu que o governo deixasse mais claro qual a política fiscal, a fim de restabelecer a confiança na economia.

O novo corte abrange 4,4 bilhões de reais em despesas discricionárias, como diárias e passagens, e 5,6 bilhões de reais em despesas obrigatórias, como pessoal e encargos sociais. Nesta rubrica, o governo está apenas adiando despesas que terá de encarar no futuro, como pagamentos de sentenças judiciais.

"Não é simplesmente empurrar com a barriga. É um ajuste mesmo o que estamos fazendo", defendeu a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, acrescentando que o governo também decidiu adiar a contratação de parte de funcionários públicos, que deveriam ser chamados neste ano.   Continuação...

 
Ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante entrevista à Reuters, em Brasília. O governo anunciou nesta segunda-feira corte adicional de 10 bilhões de reais nos gastos públicos em 2013, com o objetivo de assegurar o cumprimento da meta superávit primário do setor público consolidado de 2,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. O contingenciamento adicional pelo governo federal foi feito para cobrir a eventual frustração com o cumprimento da meta de superávit por Estados e municípios, disse Mantega. 18/07/2013. REUTERS/Ueslei Marcelino