Confiança do consumidor tem menor nível em 4 anos por inflação

terça-feira, 23 de julho de 2013 14:32 BRT
 

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 23 Jul (Reuters) - A baixa satisfação com a atual situação econômica do país, com inflação elevada e atividade ainda fraca, levou o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) a atingir em julho o menor nível desde maio de 2009, com recuo de 4,1 por cento, deixando mais evidente o momento delicado por que passa o governo neste momento.

De acordo com dados divulgados nesta terça-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o ICC caiu para 108,3 pontos, ante 112,9 pontos em junho, quando havia recuado 0,4 por cento na comparação com maio, influenciado ainda pelo efeito psicológico das manifestações em todo o Brasil.

Neste ano a confiança do consumidor ainda não apresentou taxa positiva, sendo o melhor resultado a estabilidade vista em abril.

A principal influência veio do indicador que mede o grau de satisfação dos consumidores sobre a situação econômica presente, com queda de 18,2 por cento em julho. Ao passar para 67,8 pontos, ante de 82,9, também atingiu o nível mais baixo desde maio de 2009, quando estava em 65,3.

"A confiança do consumidor vem se deteriorando com o passar dos meses e, nesse mês, a diferença é que houve queda na confiança em todas as classes de renda", explicou a economista da FGV Viviane Seda, acrescentando ainda que, no momento atual, pesaram ainda as manifestações populares em todo o país, a inflação elevada e o mercado de trabalho.

Dentro do ICC, o Índice da Situação Atual (ISA) caiu 9,7 por cento, passando para 109,2 pontos em julho, o menor patamar desde maio de 2009 (103,0). A proporção de consumidores que avalia a situação atual da economia como boa diminuiu de 17,9 por cento em junho para 14,9 por cento em julho, enquanto a dos que a consideram ruim saltou de 35,0 a 47,1 por cento no período.

De acordo com avaliação do diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco, Octavio de Barros, o resultado pode ter sido influenciado principalmente pela resistência da inflação ao longo do primeiro semestre, especialmente de alimentação.

"Daqui para frente, com o alívio esperado para a inflação no segundo semestre, esperamos retomada gradual da confiança, em linha com a nossa expectativa de melhora do consumo das famílias", disse Barros em nota.   Continuação...