Contas externas do Brasil têm maior rombo da história no 1º semestre

terça-feira, 23 de julho de 2013 17:24 BRT
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 23 Jul (Reuters) - As contas externas do Brasil encerram o primeiro semestre de 2013 com o maior rombo da história para o período, abaladas pelo fraco desempenho da balança comercial e tendo à frente um cenário de deterioração, sem perspectiva de que os investimentos produtivos possam compensar o déficit.

O déficit em transações correntes subiu 72,2 por cento no primeiro semestre sobre igual período de 2012, para 43,478 bilhões de dólares, informou o Banco Central nesta terça-feira.

O rombo não foi coberto pelos investimentos estrangeiros diretos (IED), que no semestre somaram 30,027 bilhões de dólares, pouco acima dos 29,730 bilhões de dólares vistos em igual período de 2012.

A conta corrente tem sido afetada pelo fraco desempenho da balança comercial do país que, no primeiro semestre, registrou saldo negativo de 3,092 bilhões de dólares, ante superávit de 7,063 bilhões de dólares entre janeiro e junho de 2012. Além da atividade econômica interna e mundial mais fraca, a redução das exportações e aumento das importações de petróleo e derivados também afetaram o comércio internacional do Brasil.

Diante desses números, analistas veem cenário mais complicado para as contas externas brasileiras.

"Reduzimos nossa projeção para a balança comercial para 2013 (para superávit de 1 bilhão de dólares, ante 4,1 bilhões de dólares)... em virtude da decepção com as exportações e uma balança comercial de petróleo ainda desafiadora", afirmou, por nota, o economista-chefe para América Latina do HSBC, Andre Loes.

Segundo ele, a projeção para o déficit em conta corrente-- que engloba balança comercial, serviços e transferências unilaterais-- do país neste ano passou a 78,3 bilhões de dólares, ante 75,2 bilhões de dólares, em meio ao cenário de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano de 2,4 por cento, afetado pelo consumo fraco.

Também tem pesado as remessas de lucros e dividendos de multinacionais instaladas no país, que entre janeiro e junho somaram 14,101 bilhões de dólares, 41,3 por cento a mais do o registrado na primeira metade de 2012. Já os gastos com juros subiram 32,5 por cento para 5,925 bilhões de dólares na mesma comparação.   Continuação...