Brasil abre 826 mil vagas formais no 1º semestre, pior resultado desde 2009

terça-feira, 23 de julho de 2013 16:17 BRT
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 23 Jul (Reuters) - A geração de emprego com carteira assinada no Brasil no primeiro semestre deste ano foi a pior desde 2009, auge da crise internacional, com quase todos os setores reduzindo a contratação de trabalhadores e deixando evidente o momento delicado da economia.

Entre janeiro e junho passados, foram abertas 826.168 vagas com carteira assinada no país, o mais baixo desempenho em primeiro semestre desde 2009, quando foram criados 510.984 postos, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério do Trabalho nesta terça-feira.

Só no mês passado, foram abertas 123.836 vagas formais de trabalho, quase 72 por cento a mais do que o volume visto em maio, de 72.028 empregos. O resultado de junho também foi melhor do que o visto um ano antes, de 120.440 postos, nos dados sem ajustes.

Apesar da melhora pontual, a avaliação para o futuro do mercado de trabalho brasileiro não é das melhores. "Estou preocupado. A geração de emprego diminui de forma acelerada e acredito que isso repercutirá na taxa de desemprego, que deve aumentar em relação ao ano passado", disse o professor da PUC do Rio de Janeiro e especialista em emprego, José Márcio Carmargo, ressaltando ainda que setores que até então lideravam a oferta de vagas, como o de serviços, estão reduzindo as admissões.

Os dados do emprego no acumulado do ano até junho mostram forte redução do emprego em quase todos os setores. O setor serviços, por exemplo, contratou 361 mil trabalhadores nos primeiros seis meses deste ano, ante 470 mil em igual período do ano passado.

A construção civil baixou as admissões de operários para 133 mil na primeira metade deste ano, frente a 206 mil contratados em igual período do ano passado.

Um dos principais responsáveis pela sustentação da economia, o mercado de trabalho brasileiro tem dado sinais de cansaço, afetado pelo mau desempenho da atividade, que ainda não conseguiu mostrar recuperação sólida.

Em maio, no último dado disponível, a taxa de desemprego mostrou resistência ao se manter em 5,8 por cento, marcando o quinto mês sem queda, ao mesmo tempo em que o rendimento da população recuou pelo terceiro mês seguido.

No lado da atividade, o governo piorou a previsão de crescimento para este ano a 3 por cento, ante 3,5 por cento, mas o próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, já admitiu que a expansão poderá ficar entre 2,5 e 3 por cento.

O Ministério do Trabalho também informou que no primeiro semestre os salários médios de admissão ficaram em 1.090,52 reais, registrando aumento real de 1,70 por cento em comparação a igual semestre do ano passado. Os Estados que apresentaram os maiores ganhos foram Tocantins, Roraima, Paraíba e Acre, além do Distrito Federal.