Brasil busca flexibilidade do Mercosul para acelerar negociações com UE

terça-feira, 23 de julho de 2013 18:45 BRT
 

Por Alonso Soto

BRASÍLIA, 23 Jul (Reuters) - O Brasil quer mudar a forma como o bloco comercial do Mercosul negocia acordos comerciais com a União Europeia para acelerar as conversas que vêm acontecendo desde 1995, disse um alto funcionário do governo brasileiro à Reuters.

O Mercosul, que é formado por Argentina, Brasil, Paraguai, Venezuela e Uruguai, está tentando retomar as negociações com a UE, visando um acordo comercial que envolve 750 milhões de pessoas e 130 bilhões de dólares em comércio anual.

Pressionado por um déficit comercial crescente, o Brasil está liderando os esforços e, reconhecendo as diferenças no Mercosul, busca formas para permitir que os membros do bloco negociem em seu próprio ritmo.

"Nossa vontade é avançar nessa agenda de acordos comerciais. Os empresários também estão na mesma direção. O que temos que ver é como fazer isso", disse o secretario-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ricardo Schaefer.

"O bloco é muito importante e estratégico para o Brasil, mas nós temos uma agenda e temos algumas assimetrias que precisamos enfrentar", acrescentou, observando que o Uruguai também quer se mover mais rápido, enquanto a Argentina, por causa de sua balança de problemas comerciais, prefere uma abordagem mais lenta.

A vontade da maior economia da América Latina de adotar uma abordagem flexível para a forma como o Mercosul negocia é uma indicação de que o Brasil está ficando cansado das restrições que o grupo coloca em seus planos de expansão no exterior para combater a desaceleração econômica em casa.

Grupos empresariais brasileiros pediram ao governo para pressionar o Mercosul para permitir que cada membro negocie acordos comerciais em seu próprio ritmo, numa tentativa de acelerar as negociações.

"Nós não temos condições de descartar hoje nada a priori, nenhum caminho a priori", disse Schaefer, que reconheceu que problemas de balança de pagamentos da Argentina adicionam uma "complexidade" para as negociações com os europeus. "A única coisa que podemos descartar é o fim do Mercosul."   Continuação...