Desemprego no Brasil surpreende e sobe a 6% em junho; renda cai novamente

quarta-feira, 24 de julho de 2013 13:57 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 24 Jul (Reuters) - A taxa de desemprego do Brasil surpreendeu em junho ao subir para 6,0 por cento, marcando o sexto mês seguido que não cede e o patamar mais alto desde abril de 2012, ao mesmo tempo em que o rendimento da população caiu pela quarta vez seguida, deixando mais evidente a falta de confiança que afeta a economia neste momento.

Os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), depois dos 5,8 por cento de maio, ficaram acima até da expectativa mais alta que de pesquisa da Reuters, cuja mediana indicava estabilidade no mês.

Em abril de 2012, a taxa de desemprego também havia sido de 6,0 por cento. A última vez que o desemprego caiu foi em dezembro passado, quando atingiu a mínima histórica de 4,6 por cento num momento sazonalmente favorável ao emprego pelas festas de fim de ano, com os quatro meses seguintes mostrando alta e depois se estabilizando em maio.

"Foi um resultado frustrante", resumiu o coordenador da pesquisa do IBGE, Cimar Pereira. Desde agosto de 2009, de acordo com o IBGE, a taxa de desemprego não subia na comparação com o mesmo mês do ano anterior --em junho do ano passado, o desemprego estava em 5,9 por cento.

O mercado de trabalho vem perdendo força sistematicamente e, de acordo com analistas, pode estar entrando em uma nova fase depois de anos de aquecimento justamente no momento mais delicado do governo da presidente Dilma Rousseff, com a confiança do setor produtivo e do consumidor em baixa, inflação elevada e crescimento fraco.

"Acho que começa a se formar uma tendência de desaquecimento do mercado de trabalho, que deve perdurar ao longo do segundo semestre e no ano que vem, acompanhando a perspectiva de desaquecimento da atividade", avaliou o estrategista-chefe do Banco WestLB, Luciano Rostagno.

Prova de que um dos últimos indicadores positivos da economia começa a mudar de direção foi o país ter fechado o semestre passado com a menor geração de empregos formais desde 2009, auge da crise internacional, com apenas 826 mil novas vagas, segundo dados do Ministério do Trabalho.

"O mercado de trabalho é um reflexo do cenário econômico. Se ele não estimula a geração, não dá segurança ao empresário", disse Azeredo.   Continuação...