24 de Julho de 2013 / às 12:49 / 4 anos atrás

Desemprego no Brasil surpreende e sobe a 6% em junho; renda cai novamente

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 24 Jul (Reuters) - A taxa de desemprego do Brasil surpreendeu em junho ao subir para 6,0 por cento, marcando o sexto mês seguido que não cede e o patamar mais alto desde abril de 2012, ao mesmo tempo em que o rendimento da população caiu pela quarta vez seguida, deixando mais evidente a falta de confiança que afeta a economia neste momento.

Os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), depois dos 5,8 por cento de maio, ficaram acima até da expectativa mais alta que de pesquisa da Reuters, cuja mediana indicava estabilidade no mês.

Em abril de 2012, a taxa de desemprego também havia sido de 6,0 por cento. A última vez que o desemprego caiu foi em dezembro passado, quando atingiu a mínima histórica de 4,6 por cento num momento sazonalmente favorável ao emprego pelas festas de fim de ano, com os quatro meses seguintes mostrando alta e depois se estabilizando em maio.

“Foi um resultado frustrante”, resumiu o coordenador da pesquisa do IBGE, Cimar Pereira. Desde agosto de 2009, de acordo com o IBGE, a taxa de desemprego não subia na comparação com o mesmo mês do ano anterior --em junho do ano passado, o desemprego estava em 5,9 por cento.

O mercado de trabalho vem perdendo força sistematicamente e, de acordo com analistas, pode estar entrando em uma nova fase depois de anos de aquecimento justamente no momento mais delicado do governo da presidente Dilma Rousseff, com a confiança do setor produtivo e do consumidor em baixa, inflação elevada e crescimento fraco.

“Acho que começa a se formar uma tendência de desaquecimento do mercado de trabalho, que deve perdurar ao longo do segundo semestre e no ano que vem, acompanhando a perspectiva de desaquecimento da atividade”, avaliou o estrategista-chefe do Banco WestLB, Luciano Rostagno.

Prova de que um dos últimos indicadores positivos da economia começa a mudar de direção foi o país ter fechado o semestre passado com a menor geração de empregos formais desde 2009, auge da crise internacional, com apenas 826 mil novas vagas, segundo dados do Ministério do Trabalho.

“O mercado de trabalho é um reflexo do cenário econômico. Se ele não estimula a geração, não dá segurança ao empresário”, disse Azeredo.

As estimativas sobre o crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro vêm sendo reduzidas nas últimas semanas e o relatório Focus do Banco Central divulgado na segunda-feira mostrou que economistas das instituições financeiras preveem agora uma alta de 2,28 por cento do PIB este ano.

RENDA AFETADA

O IBGE informou ainda que o rendimento médio da população ocupada caiu 0,2 por cento no mês passado ante maio, atingindo 1.869,20 reais, na quarta queda mensal seguida. Em relação a junho do ano passado, o rendimento subiu 0,8 por cento.

“Quando avaliado do ponto de vista da taxa geral de desemprego, o mercado de trabalho permanece robusto. Entretanto, outros indicadores sugerem que o mercado de trabalho não está mais tão forte como em 2012: o crescimento do emprego e do salário real começou a moderar”, disse o diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos.

Dados da pesquisa reforçam esse prognóstico. A industria demitiu 120 mil pessoas em junho, 63 mil só em São Paulo. “Isso é muito ruim e preocupante nessa época do ano que a indústria começa a contratar para se preparar para atender a demanda de fim de ano”, disse o pesquisador do IBGE.

Azeredo acha que esses cortes na indústria podem se espalhar por outros segmentos e regiões. “A indústria de São Paulo é compradora e demanda bens e serviços de outros segmentos e regiões do país, certamente, isso poder ter efeito mais à frente.”

Ainda de acordo com o IBGE, a população ocupada recuou 0,1 por cento em junho na comparação com maio e cresceu 0,6 por cento ante o mesmo período do ano anterior, totalizando 22,980 milhões de pessoas nas seis regiões metropolitanas avaliadas.

Por sua vez, a população desocupada chegou a 1,455 milhão de pessoas, alta de 2,7 por cento ante maio e de 2,4 por cento sobre um ano antes. Os desocupados incluem tanto os empregados temporários dispensados quanto desempregados em busca de uma chance no mercado de trabalho.

Além da queda na ocupação e aumento do desemprego, Azeredo destacou ainda que “o mercado não está gerando postos suficientes, está abrindo vagas apenas para empatar com o crescimento vegetativo” da população.

A perspectiva de fraqueza da economia, no entanto, não deve alterar o ciclo de aperto monetário iniciado pelo Banco Central.

“Será um equívoco se o BC interromper o ciclo de alta de juros em virtude de uma perspectiva de desaquecimento do mercado de trabalho e da economia, já que estamos com a inflação sistematicamente acima do centro do meta”, disse Rostagno, do WestLB.

O aumento do desemprego pode até ajudar a conter a inflação, argumentou o economista da Saga Capital Gustavo Mendonça, especialmente a alta de preços dos serviços.

“Se o desemprego continuasse entre 5 e 5,5 por cento, a inflação de serviços aceleraria. Chegamos a um nível de emprego que não era sustentável”, disse ele.

Neste mês, o IPCA-15 mostrou desaceleração da alta para 0,07 por cento, voltando no acumulado em 12 meses a ficar abaixo do teto da meta do governo, com de 6,40 por cento.

Edição de Alexandre Caverni e Patrícia Duarte

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