24 de Julho de 2013 / às 15:21 / em 4 anos

Geadas atingem trigo, hortaliças, café e pastagens no Paraná

SÃO PAULO, 24 Jul (Reuters) - Geadas atingiram grandes extensões no Paraná na madrugada desta quarta-feira, o dia mais frio do ano no Estado, afetando especialmente o trigo, mas também plantações de hortaliças, café, pastagens e até mesmo algumas lavouras de milho, segundo informação do Departamento de Economia Rural (Deral), do governo paranaense.

As indicações são de que o trigo do Estado --que tinha expectativa de ser o maior produtor do cereal do Brasil neste ano-- tenha sofrido danos, embora ainda seja difícil estimar as perdas.

Os prejuízos devem colaborar para sustentar os preços agrícolas, principalmente do trigo, que já estão nos mais altos valores da histórica, em função de uma quebra de safra no Brasil e nos países do Mercosul na temporada passada. Além da preocupação inflacionária, o cereal também tem peso importante no PIB agropecuário do país.

"No momento não é possível quantificar os prejuízos, pois ainda há previsão de nova geada para essa madrugada, mas preliminarmente podemos verificar que as perdas na agricultura serão grandes", afirmou o Deral em relatório diário, descrevendo a situação de Apucarana, o norte do Estado.

O Deral em Apucarana informou que o trigo, que já estava sofrendo com ataques de doenças e desenvolvimento desuniforme, "deverá ter uma perda por estar nas fases de floração e frutificação", nas quais a cultura está vulnerável a geadas.

Hortaliças, como repolho, couve-flor, beterraba e folhosas plantadas a céu aberto, também foram atingidas nessa região. No café, grande parte das lavouras foram afetadas "com nível de danos variados". Às 9h, ainda havia gelo no campo.

"Com essas temperaturas baixas, ocorreram geadas fortes em todas as regiões (do Estado)", confirmou o meteorologista Paulo Barbieri, do Simepar, instituto de meteorologista que funciona dentro da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba.

Técnicos dizem que cerca de metade do trigo plantado no Paraná está em fases mais avançadas de desenvolvimento, nas quais as plantas são vulneráveis ao frio, o que pode levar o país a aumentar suas importações do cereal.

O Ministério da Agricultura estimou, no início do mês, uma produção de trigo de 5,6 milhões de toneladas no país este ano. Deste total, cerca de 48 por cento eram esperados no Paraná.

"Fazer um diagnóstico agora das culturas é precipitado. É o momento que se tem muito pouca ideia do que aconteceu", disse o coordenador da Divisão de Estatística do Deral, Carlos Hugo Godinho, lembrando que ainda há risco de geadas para as próximas duas madrugadas, o que poderia ampliar os danos ao trigo paranaense.

Em Campo Mourão, outra importante região produtora de trigo, houve registro de temperaturas negativas. "As geadas atingiram a região nesta madrugada em alta intensidade, afetando principalmente as culturas de inverno, hortaliças e pastagens", afirmou o Deral, dizendo que o cereal deve ter prejuízos.

"Com a previsão da ocorrência de mais geadas de forte intensidade para quinta-feira e sexta-feira, o clima é de apreensão entre os produtores", segundo avaliação do departamento do governo.

Em Cornélio Procópio, também no norte do Estado, onde as temperaturas costumam ser mais amenas, levantamento preliminar indicou a ocorrência de geadas, principalmente nas baixadas, "prejudicando provavelmente as culturas de trigo e milho segunda safra, na fase de frutificação".

Em Francisco Beltrão, no sul do Estado, também houve geada forte, e "haverá perdas na cultura do trigo, pois aproximadamente 60 por cento da área plantada está em fase suscetível...".

Em Paranavaí, norte do Paraná, "com a ocorrência de geadas na região, os pecuaristas vão ter mais dificuldade para realizar o manejo do gado".

Em Ivaiporã, no centro paranaense, houve frio intenso com formação de geadas. "As culturas de café, trigo e hortaliças foram as principais atingidas."

Já as lavouras de trigo do Rio Grande do Sul, outro importante Estado produtor, estão em estágio inicial, menos vulnerável ao frio intenso, segundo técnicos.

CAFÉ

"O café que está sendo colhido não foi afetado, porém a próxima safra terá forte redução na produção, além da erradicação devido aos preços baixos, e agora com a geada", disse o Deral, sobre a situação em Ivaiporã.

De uma maneira geral no Estado, segundo as primeiras informações, as geadas não foram tão severas quanto o esperado nas áreas cafeeiras, segundo as primeiras informações. Mesmo assim, há relatos preocupantes sobre as lavouras no Estado, o quinto produtor nacional do grão.

Por Gustavo Bonato e Roberto Samora

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