July 24, 2013 / 5:01 PM / 4 years ago

Câmbio leva Fibria a prejuízo; vê retomada na demanda da China

6 Min, DE LEITURA

Por Roberta Vilas Boas

SÃO PAULO, 24 Jul (Reuters) - A valorização do dólar levou a Fibria a ter prejuízo no segundo trimestre, mas melhorou as receitas, devido aos maiores preços, informou nesta quarta-feira a maior produtora de celulose de eucalipto do mundo.

O dólar mais alto encareceu os insumos, mas esse efeito foi compensado com um reajuste de 30 dólares, em maio, da tonelada de celulose vendida. E, apesar da menor demanda recente, em meio as férias no Hemisfério Norte, a companhia não pretende voltar atrás no aumento.

"A China já está sinalizando retomada da demanda. Isso faz com que a gente não abra mão do anúncio feito em maio. Nós acreditamos que já em agosto vai ter demanda significativa desse mercado", afirmou o diretor comercial e de logística da empresa, Henri Philippe Van Keer, em teleconferência com analistas.

Ainda assim, a fabricante trabalha com um cenário de queda não "significativa" nos preços no fim do ano com a entrada em operação de novas fábricas, elevando a capacidade global do setor, o que pode se estender em 2014.

"O preço de celulose tende a seguir os bons fundamentos atuais. Eventuais quedas ficam para o fim do ano e início do ano que vem, quando entrarem novas capacidades", disse o presidente da Fibria, Marcelo Castelli, em teleconferência com jornalistas.

Castelli considerou que os níveis de estoque de celulose na China não estão em níveis seguros, o que deverá influenciar na retomada da demanda.

A Fibria teve um prejuízo líquido de 593 milhões de reais de abril a junho, ante perda de 524 milhões em igual período de 2012. Mas o resultado veio melhor que o esperado por analistas, que estimavam, em média, prejuízo de 673 milhões de reais, segundo pesquisa da Reuters.

A empresa atribuiu o prejuízo ao resultado financeiro, que ficou negativo em 1,162 bilhão de reais, impactado pelo "efeito da valorização do dólar sobre a dívida no valor de 650 milhões de reais, e dos efeitos contábeis e financeiros da recompra de títulos no trimestre, de 224 milhões de reais".

Segundo a Fibria, desconsiderando esses dois efeitos, a companhia teria fechado o trimestre com lucro de cerca de 80 milhões de reais.

Mas a geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado totalizou 647 milhões de reais, alta de 18 por cento ante igual trimestre do ano passado, influenciada pelo maior preço da celulose em reais, também devido à alta do dólar. A margem Ebitda no período cresceu de 37 para 39 por cento. Analistas esperavam Ebitda de 639 milhões de reais, em média.

A receita líquida da Fibria, por sua vez, totalizou 1,669 bilhão de reais no segundo trimestre, alta de 12 por cento sobre um ano antes, influenciada principalmente por maior preço da celulose. O volume de vendas ficou estável, a 1,269 milhão de toneladas.

Alavancagem E Grau De Investimento

A relação entre dívida líquida e Ebitda da empresa, indicador do nível de alavancagem, ficou em 3,3 vezes no segundo trimestre, ante 4,7 vezes no mesmo período de 2012 e 3,1 vezes no primeiro trimestre.

Executivos da empresa destacaram que o aumento na comparação com os três primeiros meses do ano ocorreu pela variação do câmbio, mas que a estratégia de controle de custos e redução do nível de alavancagem continua.

"Nossa relação dívida líquida e Ebitda calculada em reais teve aumento, mas em dólares houve queda, e essa razão em dólares que é importante para compromissos financeiros", afirmou o diretor financeiro e de relações com investidores, Guilherme Cavalcanti. A alavancagem da empresa, em dólares, passou de 3,1 para 3 vezes do primeiro para o segundo trimestre.

"(O câmbio) não preocupa a gente, em termos do de grau de investimento", acrescentou.

Segundo o executivo, a agência de classificação de risco Standard & Poor's considera um nível de alavancagem de 2,5 vezes para a empresa ter o grau de investimento. "Então, a gente acredita na obtenção (da nota) em curto espaço de tempo".

A S&P atribui rating "BB+" para a empresa, assim como a agência Fitch.

O grau de investimento, usado pelo mercado para classificar dívidas com baixo risco de crédito, começa na nota BBB-, que é justamente um patamar acima da atual atribuída pelas agências à Fibria.

Novos Projetos

Questionado sobre o projeto de Portocel (ES), em parceria a Cenibra, o presidente da Fibria afirmou que não há mudanças após a lei dos Portos, que entrou em vigor em junho.

A Fibria tem uma parceria para expansão de sua capacidade portuária para exportação, em joint-venture com a Cenibra no Portocel, especializado em celulose, no Espírito Santo, para construir mais berços de embarque.

"Nossa intenção continua firme em perseguir esse negócio para gerar valor aos acionistas", afirmou Castelli.

Sobre a construção de uma nova unidade em Três Lagoas (MS), Castelli disse que vai esperar uma melhora no cenário internacional para seguir com o projeto.

Mas o executivo afirmou que enviará ao conselho de administração um plano de joint venture com a norte-americana Ensyn para biocombustíveis, e vê a chance de iniciar a produção até o começo de 2016. (Por Roberta Vilas Boas)

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