24 de Julho de 2013 / às 19:42 / em 4 anos

Lucro da Telefônica Brasil cai 16% no 2o tri por maiores gastos

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 24 Jul (Reuters)- O lucro líquido da Telefônica Brasil recuou 15,8 por cento no segundo trimestre, por conta de gastos maiores com a rede fixa e despesas com o relançamento da operação de TV paga do grupo, em meio a um cenário de maior concorrência no setor e desaceleração do crescimento do mercado de celulares.

O lucro líquido da empresa, que opera no Brasil com a marca Vivo, ficou em 914 milhões de reais no segundo trimestre, praticamente em linha com o esperado por analistas, ante 1,085 bilhão de reais no mesmo período do ano passado, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira.

A receita operacional líquida da empresa subiu 3 por cento no trimestre, para 8,491 bilhões de reais, enquanto os custos operacionais saltaram 14,9 por cento na comparação anual, para 5,916 bilhões de reais.

A geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) recuou 16,7 por cento na comparação anual para 2,575 bilhões de reais. A margem Ebitda recuou de 37,5 no segundo trimestre de 2012 para 30,3 por cento no trimestre passado.

Analistas consultados pela Reuters esperavam lucro líquido de 893 milhões de reais e Ebitda de 2,665 bilhões, com margem de 31,4 por cento.

Além da concorrência acirrada e desaceleração do mercado de celulares, a alta da inflação e a queda de confiança dos consumidores têm atingido o mercado de telecomunicações do país, que registrou o segundo trimestre mais fraco da telefonia celular dos últimos sete anos.

As despesas comerciais da Telefônica Brasil subira 13,9 por cento no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto os custos de mercadorias vendidas subiram 33,8 por cento e o de serviços prestados avançou 13 por cento.

Os gastos foram impulsionados pela fidelização de clientes na rede fixa e limpeza de base de clientes celulares com foco nos pós-pagos, além do relançamento da TV paga.

“Não é possível fazer uma recuperação dos negócios sem custos comerciais adicionais”, disse a diretora de controladoria da Telefônica Brasil, Cristiane Barretto, em teleconferência com analistas.

“Como vocês sabem, o retorno não deve ocorrer nos primeiros meses, então é natural esperar uma melhora no desempenho no futuro próximo”, acrescentou a executiva.

Às 16h05, as ações da companhia exibiam queda de 2,18 por cento, enquanto o Ibovespa mostrava queda de 1,03 por cento.

Em relatório, a New Street Research considerou o resultado da companhia como fraco, e manteve recomendação para redução de exposição às ações da operadora.

“A tendência mais preocupante está sobre os custos, que subiram com os investimentos em rede fixa. Isso parece ser parte de uma ampla estratégia de reviravolta que deve continuar para além do terceiro trimestre (...) mas estas iniciativas ainda precisam se materializar em receita”, afirmaram analistas da New Street em relatório.

No segundo trimestre, a Telefônica Brasil investiu 1,252 bilhão de reais, crescimento de 9,5 por cento sobre um ano antes, com foco em fibra e redes 3G e 4G. A operadora estima investimento de 5,7 bilhões de reais em 2013, além de mais 500 milhões na aquisição de frequências.

PÓS-PAGO CRESCE

A companhia fechou o semestre com 91,14 milhões de acessos --serviços como telefonia móvel e fixa, banda larga e televisão--, praticamente estável em relação ao ano anterior. Do total, 76,2 milhões correspondem a acessos móveis, alta anual de 0,6 por cento, e 14,94 milhões a fixos, queda de 1,3 por cento.

Na telefonia móvel, o foco nos clientes mais rentáveis resultou em crescimento de 20,4 por cento na base de linhas pós-pagas e queda de 5,2 por cento nos pré-pagos no último trimestre. Com isso, a receita média por usuário (Arpu, na sigla em inglês) de dados subiu 23,4 por cento, para 7,4 reais por mês, enquanto o Arpu de voz caiu 3 por cento, a 15,5 reais mensais.

A Telefônica Brasil fechou o primeiro semestre com dívida líquida de 523,6 milhões de reais, queda anual de 83,5 por cento. Segundo a empresa, a exposição cambial está 100 por cento coberta por operações de hedge.

Reportagem adicional de Brad Haynes e Guillermo Parra-Bernal

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