Desemprego maior em junho preocupa governo sobre futuro da economia, dizem fontes

quarta-feira, 24 de julho de 2013 21:55 BRT
 

Por Jeferson Ribeiro e Patrícia Duarte

SÃO PAULO, 24 Jul (Reuters) - A surpreendente alta do desemprego no Brasil em junho fez soar ainda mais alto o alarme dentro do governo da presidente Dilma Rousseff, que já vem sofrendo com a baixa confiança da população e dos empresários, com preocupações sobre o futuro da economia neste segundo semestre.

Já há avaliações, tanto dentro da equipe econômica quanto no Palácio do Planalto, que a atividade pode perder força no terceiro trimestre --o oposto da visão que prevalecia há poucos meses.

"Acho que pode ser um sinal (de piora da economia no terceiro trimestre), mas é difícil concluir olhando só esse comportamento na margem. Mas é mais um sinal", afirmou à Reuters um importante integrante da equipe econômica, sob condição de anonimato, acrescentando que este terceiro trimestre pode ter desempenho pior do que os dois primeiros.

A fonte referia-se à divulgação nesta quarta-feira da taxa de desemprego de 6 por cento no mês passado que, apesar de baixa se comparada com outros momentos, marcou o sexto mês seguido sem ceder, ao mesmo tempo em que o rendimento da população caiu pela quarta vez seguida.

O mercado de trabalho é considerado por assessores da presidente Dilma como o "fio de esperança do governo" num cenário de indicadores econômicos cada vez mais deteriorados, e o resultado de agora causou preocupação.

Segundo uma fonte do Executivo, que também pediu anonimato, o aumento do desemprego era esperado, mas preocupa à medida que pode se tornar uma tendência, já que essa "era a bóia de salvação" ou "fio de esperança" de Dilma, num momento em que o governo passa por forte instabilidade política e está pressionado por indicadores de inflação e crescimento econômico ruins.

A fonte disse desconhecer novas medidas para estímulos ao mercado de trabalho e argumentou que, apesar do crescimento do desemprego, o atual nível ainda é baixo, especialmente considerando-se o cenário internacional. "Mas não vamos ver níveis de geração de emprego como o que ocorreu em 2010, quando a economia estava superaquecida", afirmou.

Na véspera, o governo já havia tido uma indicação de que o mercado de trabalho continuava dando sinais de cansaço, com a divulgação de que o país havia fechado o semestre passado com a menor geração de empregos formais desde 2009, auge da crise internacional, segundo dados do Ministério do Trabalho.   Continuação...