O problema do trigo no Egito: como Mursi comprometeu a oferta de pão

quinta-feira, 25 de julho de 2013 17:23 BRT
 

Por Sarah McFarlane

CAIRO, 25 Jul (Reuters) - O maior erro que o presidente deposto do Egito Mohamed Mursi cometeu durante o ano em que ficou no poder foi reduzir dramaticamente as importações de trigo, afirmou o novo ministro de suprimentos do país, Mohamed Abu Shadi.

A falta de dinheiro e uma tentativa quixotesca de tornar o Egito autossuficiente estimularam o declínio, disseram autoridades familiarizadas com a questão.

Mursi sonhava em levar o Egito a produzir todo o trigo que consome e permitiu que os estoques de produto importado caíssem a níveis muito baixos. Isso prejudicou tanto os estoques de trigo do país quanto o governo de Mursi.

Com um quarto da população egípcia, de 84 milhões de pessoas, vivendo abaixo da linha de pobreza de 1,65 dólares de salário por dia, milhões dependem do pão subsidiado que é vendido por menos de 1 centavo de dólar por unidade. A oferta depende do trigo estrangeiro.

O país é o maior importador mundial de trigo, trazendo do exterior cerca de 10 milhões de toneladas por ano, ou cerca de metade de seu consumo anual. Manter o sistema de pão subsidiado funcionando era vital quando Mursi, apoiado pela Irmandade Muçulmana, assumiu o poder em junho de 2012.

Mursi indicou o engenheiro Bassem Ouda, de 43 anos, como ministro de suprimentos. Ouda, que assumiu o posto em 6 de janeiro, disse que o programa egípcio, estimado em 3 bilhões de dólares, seria sua maior prioridade. No entanto, ele e Mursi imediatamente começaram a falar sobre tornar o Egito autossuficiente, ao mais que dobrar sua produção doméstica e atender cerca de 18 milhões de toneladas de sua demanda anual. Ao mesmo tempo eles reduziram fortemente as importações de trigo, utilizando e esvaziando estoques.

Em maio, Mursi disse durante um festival da colheita que "pela vontade de Deus, em dois anos nós conseguiremos produzir mais de 80 por cento das nossas necessidade, e buscamos em quatro anos não importar mais trigo."

Era uma meta ambiciosa. Críticos disseram que era algo temerário.   Continuação...