ENTREVISTA-Itamarati reduzirá moagem de cana em 2014/15 por dívidas

quinta-feira, 25 de julho de 2013 17:24 BRT
 

Por Fabíola Gomes

SÃO PAULO, 25 Jul (Reuters) - Endividada e sem acesso a linhas mais baratas de crédito, a Usinas Itamarati já planeja reduzir a moagem de cana em cerca de 10 por cento, pelo menos, na próxima safra (2014/15), devido à redução nos investimentos para renovação dos canaviais, disse o presidente do grupo em entrevista à Reuters.

"Este ano, o planejado era plantar (renovar) 11 mil hectares com cana, mas com as dificuldades e sem crédito, vamos cultivar somente 3 mil hectares", disse Sylvio Coutinho, presidente da Usinas Itamarati.

O grupo, considerado de médio porte no Brasil, tem 59 mil hectares cultivados com cana, e tradicionalmente renovava 20 por cento desta área por ano.

Inicialmente, a meta para 2014/15 era moer 6,3 milhões de toneladas, mas diante das dificuldades o grupo já prevê que este volume pode cair para entre 5 milhões e 5,5 milhões de toneladas.

Na atual temporada, a Usinas Itamarati projeta moer 6 milhões de toneladas de cana.

A Usinas Itamarati, com sede em Nova Olímpia, sudoeste de Mato Grosso, abastece sobretudo o centro-norte do país, para onde destina a maior parte de sua produção de etanol hidratado e anidro e açúcar, que segue de caminhão até o Rio Madeira sendo depois distribuída para os Estados da região Norte.

Na safra 2012/13, a usina destinou 54 por cento de sua produção de cana para o etanol e o restante ao açúcar, mas nesta temporada a fatia do etanol deverá atingir 63 por cento do total moído.

O grupo tem uma receita bruta anual de 700 milhões de reais, contra um endividamento de 1,8 bilhão de reais, que inclui dívidas tributárias, com bancos e fornecedores, entre outros. A maior parte dessa dívida foi formada na década passada, com investimentos realizados durante o boom do setor, que depois sofreu um forte impacto da crise global de crédito com auge em 2008.   Continuação...