25 de Julho de 2013 / às 22:44 / em 4 anos

Acionistas da HRT se dividem entre continuidade e liquidação--fonte

Por Sabrina Lorenzi

RIO DE JANEIRO, 25 Jul (Reuters) - Acionistas da petroleira HRT com voz no Conselho de Administração se dividem entre cenários de liquidação da empresa e de continuidade das atividades da companhia a partir dos recursos da venda de ativos anunciada nesta semana, disse à Reuters uma fonte que acompanha as discussões.

A divisão entre os acionistas se dá em meio a insucessos na grande aposta da jovem empresa: a campanha exploratória na Namíbia.

Procurada, a empresa informou nesta quinta-feira à Reuters, por meio de sua assessoria de imprensa, que não está avaliando a opção de liquidação e que o programa de desinvestimento dará fôlego ao caixa para outras ações no futuro próximo, após a perfuração do terceiro poço da Namíbia, marcada para a primeira quinzena do próximo mês.

Mas alguns membros do Conselho de Administração já trabalham com a possibilidade de liquidação, com recursos da venda de ativos compensando investidores pelos aportes bilionários na empresa, disse a fonte à Reuters , que pediu para não ser identificada.

A HRT informou ao mercado na noite de quarta-feira que avalia, a partir da criação de um comitê, os possíveis caminhos da empresa, entre opções “que incluem, mas não se limitam” a vendas de potenciais ativos, combinações estratégicas e fontes alternativas de captação.

Segundo a fonte, o fato de a HRT não estar endividada, além da iminência de gerar receita no recentemente adquirido campo produtor de Polvo na bacia de Campos, alimenta esperanças de continuidade em alguns investidores.

“A Administração da HRT está concentrando esforços na atividade exploratória e no processo de transição e operação do campo de Polvo, bem como na venda de ativos não associados diretamente à sua atividade principal, devolvendo recursos financeiros importantes para fortalecer a posição de caixa da Companhia, sempre com o propósito de buscar maximizar o valor dos acionistas da HRT”, disse a empresa em comunicado ao mercado na quarta=feira.

TUDO OU NADA

Para manter as atividades exploratórias, entretanto, a HRT terá de encontrar petróleo durante a perfuração do terceiro poço na Namíbia, disse a fonte.

Sem uma notícia positiva sobre a Namíbia, disse, será difícil atrair o parceiro estratégico de que a petroleira precisa para dar continuidade à campanha exploratória no país africano, onde é operadora em dez blocos. Neste cenário, as chances de uma liquidação seriam maiores.

A empresa tentará descobrir petróleo em um bloco na bacia de Orange, na Namíbia, distante mais de 600 quilômetros do poço seco que acaba de perfurar. A HRT informou na semana passada que não encontrou indícios de hidrocarbonetos no prospecto Murombe, localizado na Bacia de Walvis.

Em maio, a empresa também havia informado que o primeiro poço exploratório do programa de perfuração na Namíbia não encontrou óleo em volume comercial.

A portuguesa Galp Energia é a parceira da HRT na perfuração desses três primeiros poços da campanha de exploração na Namíbia, com 14 por cento de participação. Para atividades em outras concessões, a empresa anunciou que precisará igualmente de um sócio estratégico.

As atividades da HRT na bacia dos Solimões, no Amazonas, deverão continuar em compasso de espera, até que se chegue a uma solução sobre a monetização do gás que descobriu na região.

FUNDOS UNIDOS

Em maio, o fundador da HRT, Márcio Mello, renunciou à presidência-executiva da empresa.

Mello, contudo, continua no Conselho de Administração, que, segundo fontes, virou palco de disputas frequentes.

Fundada por Mello em 2009, a HRT atraiu bilhões de reais de investidores que viram na empresa uma oportunidade do setor petróleo no Brasil.

Com blocos na Amazônia, a empresa realizou uma vasta campanha exploratória que acabou encontrando gás natural, mas sem infraestrutura disponível para transportá-lo da floresta ao mercado consumidor.

A euforia dos investidores acabou e a empresa viu suas ações despencarem. Depois de atingirem o valor máximo de fechamento a 43,4 reais, em março de 2011, as ações da companhia entraram em curva descendente e fecharam nesta quinta-feira, pelo segundo dia consecutivo, na cotação mínima histórica de 1,7 real.

Edição de Roberto Samora e Raquel Stenzel

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