Inadimplência no Brasil recua com cautela dos bancos ante economia fraca

sexta-feira, 26 de julho de 2013 16:30 BRT
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 26 Jul (Reuters) - A inadimplência no Brasil recuou em junho para o menor patamar em quase dois anos, por conta da menor concessão de empréstimos diante da cautela dos bancos ante uma economia fraca, juros em alta e sinais de moderação no emprego e na renda.

Depois de dois meses de estabilidade a 5,5 por cento, a inadimplência no sistema financeiro nos empréstimos com recursos livres recuou para 5,2 por cento em junho -- menor patamar desde julho de 2011, quando estava em 5,1 por cento.

Levando em consideração os recursos totais no mercado de crédito, que incluem também os empréstimos com recursos direcionados, a inadimplência recuou a 3,4 por cento em junho, ante 3,6 por cento em maio.

"A queda na inadimplência não indica que há espaço para o crescimento do país via crédito. Ao contrário, a queda reflete uma posição mais seletiva dos bancos diante da economia com perspectiva de expansão baixa e menor demanda dos consumidores por empréstimos diante dos resultados fracos do mercado de trabalho", disse o economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho.

As concessões de empréstimos no segmento de recursos livres recuaram 8 por cento na comparação mensal, para 248,3 bilhões de reais em junho. No crédito total, o recuo foi de 3,8 por cento, para 302,5 bilhões de reais.

Dados preliminares do BC para o crédito em julho reforçam esse quadro, mostrando queda de 11,6 por cento nas concessões no segmento de recursos livres em julho, até o dia 12, e com aumento dos juros e dos spread.

Em junho, a taxa de desemprego subiu para 6 por cento, no maior patamar desde abril de 2012, com o indicador acompanhado da quarta queda consecutiva no rendimento da população. Além desse indicador, dados do Ministério do Trabalho mostraram também que o primeiro semestre de 2013 registrou a mais baixa geração de vagas formais de trabalho desde 2009.

Existem algumas indicações de que a inadimplência pode continuar perdendo força nos próximos meses. O Bradesco, que possui cerca de 16 por cento do mercado de crédito brasileiro, já informou que a tendência é de estabilidade e de até uma queda eventual da inadimplência até o fim do ano.   Continuação...