Indústria de trigo do Brasil vê redução na safra por geada; escassez mais prolongada

sexta-feira, 26 de julho de 2013 15:42 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 26 Jul (Reuters) - As geadas desta semana no Paraná atingiram em cheio justamente as lavouras que resultariam nas primeiras colheitas de trigo do ano no principal produtor nacional da commodity, o que deverá prolongar a escassez do cereal brasileiro no mercado e manter os preços, já em patamares recordes, em níveis sustentados.

A avaliação é do presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Marcelo Vosnika, em entrevista à Reuters.

Geadas atingiram fortemente as regiões produtoras de trigo do Paraná por quatro dias seguidos nesta semana, num momento em que mais da metade das lavouras está suscetível a sofrer perdas pelo frio.

Nesta sexta-feira, as temperaturas subiram e devem seguir em elevação nos próximos dias, mas a indústria já contabiliza perdas de cerca 10 por cento de uma safra de aproximadamente 3 milhões de toneladas, disse o presidente da Abitrigo.

O Paraná normalmente produz metade da safra nacional, mas não é tanto o volume perdido que preocupa o presidente da associação, empresário do setor de trigo no Estado. Mas sim o prolongamento de uma escassez, uma vez que a geada destruiu boa parte das primeiras colheitas.

"O problema para mim é o trigo de setembro, que está sendo perdido... Não é um problema gravíssimo para o Paraná, mas é um problema gravíssimo para setembro... o pessoal estava desesperado esperando este trigo", afirmou Vosnika.

O presidente da Abitrigo disse que essas mesmas áreas de trigo atingidas por geadas tinham sofrido anteriormente com chuvas intensas, que favoreceram a proliferação de doenças fúngicas, que já teriam um impacto sobre a produtividade.

PREÇOS SUSTENTADOS, MAIORES IMPORTAÇÕES   Continuação...