July 29, 2013 / 1:35 PM / in 4 years

Lucro da BRF salta no 2º tri por ganhos no mercado externo

5 Min, DE LEITURA

Por Fabíola Gomes

SÃO PAULO, 29 Jul (Reuters) - A BRF, maior exportadora de carne de frango do Brasil, viu seu lucro líquido subir mais de 30 vezes no segundo trimestre na comparação anual, com impulso das vendas externas que subiram quase 20 por cento e que devem continuar fortes ao longo de 2013, disse a companhia.

O mercado interno, contudo, foi desafiador para a empresa, com desaceleração no consumo, em meio a uma economia mais fraca e inflação em alta, e queda de um terço do volume de venda devido à venda de ativos e suspensão de marcas.

O lucro líquido no trimestre encerrado em junho foi de 208,4 milhões de reais, ante lucro de 6 milhões de reais no mesmo período do ano passado, em um resultado que havia sido impactado pelo efeito cambial não-caixa sobre dívidas.

O resultado, no entanto, veio abaixo das estimativas de mercado, que apontavam em média lucro líquido de 360 milhões de reais.

O lucro antes de juro, imposto, depreciação e amortização (Ebitda) --um indicador do desempenho operacional da companhia-- ajustado subiu 61 por cento ante igual período do ano passado, para 910 milhões de reais -- em linha com expectativa média dos analistas ouvidos pela Reuters, de Ebitda de 903 milhões de reais.

A margem Ebitda ajustada ficou em 12,1 por cento no segundo trimestre, em comparação aos 8,3 por cento de igual período do ano passado e quase estável na comparação com o primeiro trimestre.

A receita líquida da companhia também avançou, totalizando 7,5 bilhões de reais, alta de 10 por cento sobre o segundo trimestre de 2012.

"(A alta da receita é) notadamente atribuída ao desempenho de receitas obtidas nas exportações e lançamentos de novos produtos, amenizando os impactos gerados pelo acordo firmado com o Cade ", informou a companhia em comunicado.

O termo de compromisso de desempenho assinado em 2011 junto ao órgão antitruste brasileiro (Cade) para aprovação da compra da Sadia pela Perdigão, operação que criou a BRF, determinou a suspensão de algumas marcas e vendas de ativos.

"O desafio da operação da BRF no mercado doméstico nos últimos meses tem sido mitigar efeitos da desaceleração do consumo interno e da redução de um terço do volume de vendas devido à venda de ativos e suspensão de marcas", disse a gigante de alimentos.

Os analistas do BB Investimentos avaliaram que os resultados da BRF no período indicam que a companhia está "entrando em um ciclo de recuperação consistente dos seus resultados financeiros e operacionais".

Segundo eles, a estratégia de expansão internacional, o fortalecimento de sua rede de distribuição, a preocupação com lançamento de novos produtos e a possibilidade de novos negócios com a Ásia e Oriente Médio deve levar a empresa a ter novo patamar de valorização nos próximos doze meses.

As ações da BRF operavam em alta de 0,71 por cento às 14h41, a 48,43 reais enquanto o Ibovespa caía 0,47 por cento no mesmo horário.

Mercados

As vendas para o mercado externo cresceram 19,4 por cento, atingindo 3,4 bilhões de reais no trimestre, enquanto o volume exportado cresceu apenas 4,9 por cento no segundo trimestre ante o mesmo intervalo do ano passado.

Segundo a companhia, a recuperação progressiva dos principais mercados internacionais, desvalorização cambial e acomodação dos custos das principais matérias-primas favoreceram o desempenho no mercado externo.

A BRF explicou que à medida que a oferta equilibrou-se nos principais mercados e devido aos efeitos cambiais, o preço médio subiu 13,8 por cento em reais enquanto os custos médios subiram 8,1 por cento.

"A manutenção desse cenário indica boas perspectivas no mercado externo para os próximos meses", estimou a companhia.

A BRF ressaltou que a abertura do mercado japonês para suínos --cujo primeiro embarque foi feito em julho--, a estabilidade nos mercados do Extremo Oriente e Europa, além da reabertura das importações de suínos pela Ucrânia, são fatos que reforçam as expectativas da companhia.

Já as vendas internas (excluindo lácteos e food services) tiveram desempenho mais modesto, avançando 4,3 por cento, para 3,1 bilhões de reais, como antecipado por analistas de bancos e corretoras, que citaram uma demanda mais fraca.

As vendas de lácteos renderam 705 milhões de reais no segundo trimestre, alta de 0,4 por cento ante o mesmo período de 2012, e o segmento de food service (produtos destinados à alimentação fora do lar) atingiu 360 milhões de reais, com variação positiva de 2 por cento na mesma comparação.

No segmento de food service, a BRF observou que o cenário foi adverso especialmente entre maio e junho, com a desaceleração provocada pelo menor consumo fora do lar, especialmente afetado pela inflação de alimentos.

Reportagem Fabíola Gomes

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