Santander Brasil tem 2o tri fraco, mas inadimplência cai

terça-feira, 30 de julho de 2013 17:20 BRT
 

Por Aluísio Alves e Natalia Gómez

SÃO PAULO, 30 Jul (Reuters)- O Santander Brasil teve outra rodada de lucro declinante no segundo trimestre, em meio ao fraco crescimento do crédito e a margens comprimidas, mas a queda nas despesas com calotes fazia suas ações subirem na bolsa nesta terça-feira.

De abril a junho, o banco teve lucro líquido de 501 milhões de reais, queda de 9,7 por cento em relação ao lucro divulgado no mesmo período de 2012. O lucro recorrente do banco -- desconsiderando a amortização de ágio pela compra do ABN Amro Banco Real --somou 1,41 bilhão de reais, queda de 4,3 por cento na comparação anual, mas acima da previsão média de 1,27 bilhão de reais de analistas consultados pela Reuters.

Esses números refletiram em parte a expansão de apenas 9 por cento da carteira de crédito ante junho de 2012, para 266,7 bilhões de reais, diante do fraco crescimento da economia brasileira.

"Subestimamos o efeito do atual momento da economia mundial sobre o Brasil", disse a jornalistas Jesus Zabalza, que assumiu como presidente-executivo do banco no país em abril.

O desempenho da unidade do banco espanhol do Brasil reforçou o cenário em que bancos privados têm desacelerado as concessões de financiamentos e se concentrando em linhas de menor risco para conter as perdas com calotes.

O Itaú Unibanco, que também divulgou seu balanço do segundo trimestre nesta manhã, viu sua carteira subir apenas 7,7 por cento em doze meses até junho. O Bradesco, que publicou seus números na semana passada, cresceu sua carteira em 10,3 por cento. Ambos reduziram suas previsões de crescimento do crédito em 2013.

Assim como seus rivais, o Santander enfrentou compressão das margens, devido à maior participação de produtos de menor risco. Com isso, a margem financeira bruta foi de 7,438 bilhões de reais, ante 8,379 bilhões de reais um ano antes. O spread, diferença entre o custo de captação e o cobrado de clientes, caiu 1,9 ponto percentual no ano a ano, a 10,8 por cento.

Para barrar a inadimplência, o banco se focou em linhas de menor risco, como o crédito imobiliário e o de grandes empresas. Em compensação, o financiamento ao consumo avançou apenas 0,9 por cento em 12 meses.   Continuação...

 
Placa do lado de fora de agência do Santander, em Wilmslow, norte da Inglaterra, 25 de abril de 2013. O Santander Brasil teve lucro recorrente acima do esperado pelo mercado no segundo trimestre, com resultado mostrando melhora nas perdas com empréstimo e crescimento de receitas com serviços e tarifas. 25/04/2013 REUTERS/Phil Noble