July 30, 2013 / 11:24 AM / 4 years ago

Santander Brasil tem 2o tri fraco, mas inadimplência cai

5 Min, DE LEITURA

Placa do lado de fora de agência do Santander, em Wilmslow, norte da Inglaterra, 25 de abril de 2013. O Santander Brasil teve lucro recorrente acima do esperado pelo mercado no segundo trimestre, com resultado mostrando melhora nas perdas com empréstimo e crescimento de receitas com serviços e tarifas. 25/04/2013Phil Noble

Por Aluísio Alves e Natalia Gómez

SÃO PAULO, 30 Jul (Reuters)- O Santander Brasil teve outra rodada de lucro declinante no segundo trimestre, em meio ao fraco crescimento do crédito e a margens comprimidas, mas a queda nas despesas com calotes fazia suas ações subirem na bolsa nesta terça-feira.

De abril a junho, o banco teve lucro líquido de 501 milhões de reais, queda de 9,7 por cento em relação ao lucro divulgado no mesmo período de 2012. O lucro recorrente do banco -- desconsiderando a amortização de ágio pela compra do ABN Amro Banco Real --somou 1,41 bilhão de reais, queda de 4,3 por cento na comparação anual, mas acima da previsão média de 1,27 bilhão de reais de analistas consultados pela Reuters.

Esses números refletiram em parte a expansão de apenas 9 por cento da carteira de crédito ante junho de 2012, para 266,7 bilhões de reais, diante do fraco crescimento da economia brasileira.

"Subestimamos o efeito do atual momento da economia mundial sobre o Brasil", disse a jornalistas Jesus Zabalza, que assumiu como presidente-executivo do banco no país em abril.

O desempenho da unidade do banco espanhol do Brasil reforçou o cenário em que bancos privados têm desacelerado as concessões de financiamentos e se concentrando em linhas de menor risco para conter as perdas com calotes.

O Itaú Unibanco, que também divulgou seu balanço do segundo trimestre nesta manhã, viu sua carteira subir apenas 7,7 por cento em doze meses até junho. O Bradesco, que publicou seus números na semana passada, cresceu sua carteira em 10,3 por cento. Ambos reduziram suas previsões de crescimento do crédito em 2013.

Assim como seus rivais, o Santander enfrentou compressão das margens, devido à maior participação de produtos de menor risco. Com isso, a margem financeira bruta foi de 7,438 bilhões de reais, ante 8,379 bilhões de reais um ano antes. O spread, diferença entre o custo de captação e o cobrado de clientes, caiu 1,9 ponto percentual no ano a ano, a 10,8 por cento.

Para barrar a inadimplência, o banco se focou em linhas de menor risco, como o crédito imobiliário e o de grandes empresas. Em compensação, o financiamento ao consumo avançou apenas 0,9 por cento em 12 meses.

Com isso, o Santander viu uma melhora na qualidade dos ativos. Embora tenha subido 0,3 ponto percentual na comparação anual, o índice de inadimplência acima de 90 dias, de 5,2 por cento, caiu na comparação com o trimestre anterior pela primeira vez desde o último trimestre de 2010. No fim de março, o índice estava de 5,8 por cento.

Assim, o banco reduziu as provisões para perdas com empréstimos para 3,2 bilhões de reais ante 3,8 bilhões de reais no mesmo período de 2012 e 3,37 bilhões de reais nos três primeiros meses deste ano, ao prever que a queda nos calotes se manterá nos próximos períodos.

"Estamos esperançosos de que essa tendência de queda se mantenha", disse na coletiva com jornalistas o vice-presidente de Finanças do Santander Brasil, Carlos Galán.

Além disso, para compensar receitas menores com crédito, o banco aumentou receitas com prestação de serviços e tarifas, que somaram 2,759 bilhões de reais no trimestre, avanço anual de 16,4 por cento.

Esse esforço, no entanto, foi insuficiente para levantar a rentabilidade do grupo. O retorno sobre patrimônio líquido médio anualizado (ROE), excluindo ágio, ficou em 10,9 por cento, ante 12,2 por cento em igual intervalo de 2012.

Segundo Zabalza, o banco sob seu comando deve crescer de forma seletiva, priorizando linhas de negócios que proporcionem rentabilidade maior. Segundo ele, a meta do banco, que tem a menor rentabilidade entre os grandes do país, é que alcance um ROE superior a 15 por cento.

A unit do Santander na Bovespa fechou em alta de 1,24 por cento, a 13,87 reais, seguindo a tendência positiva do setor financeiro, enquanto o Ibovespa recuou 1,32 por cento, de acordo com dados preliminares.

Analistas do setor, embora tenham elogiado a queda na inadimplência, viram os resultados do Santander sem entusiasmo. "Boa melhora na qualidade dos ativos, mas é basicamente isso", resumiram em relatório os analistas do BTG Pactual Marcelo Henriques e Eduardo Rosman. O Itaú BBA manteve recomendação "abaixo da média do mercado" para as units do banco.

Edição de Raquel Stenzel

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