Resultado fiscal do setor público no 1º semestre é o pior em 3 anos

terça-feira, 30 de julho de 2013 19:38 BRT
 

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 30 Jul (Reuters) - O superávit primário do setor público consolidado caiu mais de 20 por cento no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2012, por conta do fraco desempenho do governo central, fazendo com o resultado atingisse o pior patamar em relação ao PIB para o período da série histórica do Banco Central.

O fraco desempenho fiscal no semestre levanta dúvidas se o setor público consolidado --formado pelo governo central, governos regionais e empresas estatais -- conseguirá cumprir até mesmo a meta ajustada de superávit primário do ano, equivalente a 2,3 por cento do PIB.

A superávit primário, que é a economia feita para o pagamento dos juros da dívida pública, caiu para 52,158 bilhões de reais de janeiro a junho --menor valor nominal desde o primeiro semestre de 2010--, ante 65,66 bilhões de reais no mesmo período de 2012, informou o Banco Central nesta terça-feira.

Em relação ao PIB, o superávit caiu de 3,08 por cento no primeiro semestre de 2012 para 2,25 por cento de janeiro a junho deste ano --pior resultado para o período desde o início da série histórica do BC, em 2001

"O quadro fiscal do restante do ano não é nada animador. A receita cresce abaixo do esperado devido ao excesso de desoneração e há uma completa ausência de contenção de gasto digna desse termo", avaliou o economista da Tendências Consultoria especializado em finanças públicas, Felipe Salto, que projeta que o superávit fechará o ano em 1,8 por cento do Produto Interno Bruto.

A meta de superávit primário era de 155,9 bilhões de reais (cerca de 3,1 por cento do PIB) mas, diante do cenário adverso, o governo reduziu o objetivo para 2,3 por cento do PIB, prevendo abater 45 bilhões de reais em investimentos e desonerações, de um total de 65 bilhões de reais previstos na lei.

O superávit primário acumulado em 12 meses até junho é de 2 por cento do PIB.

O desempenho ruim do semestre decorreu da piora do superávit do governo central --formado pelo governo federal, Banco Central e INSS--, que recuou 30 por cento em relação ao mesmo período de 2012, para 33,728 bilhões de reais. Gastos maiores e receitas contidas pelo fraco crescimento econômico e desonerações fiscais têm comprometido o desempenho do governo central.   Continuação...