July 30, 2013 / 1:39 PM / in 4 years

BRF investe menos em 2013; vê melhor desempenho no 2o semestre

4 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO, 30 Jul (Reuters) - A BRF, uma das maiores empresas de alimentos do Brasil, reduzirá os gastos com capital em 2013, mas considera que o corte de investimentos não comprometerá o desempenho da companhia, que se prepara para um segundo semestre mais forte, disseram executivos nesta segunda-feira.

O lucro da empresa subiu mais de 30 vezes para 208 milhões de reais no segundo trimestre, puxado sobretudo pelas vendas externas, com o mercado interno registrando um aumento de receita apenas moderado, em meio à queda no volume vendido.

"O pior já passou, maio e junho foram os piores meses. Já vemos melhora a partir de julho", disse o vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores, Leopoldo Saboya, em conferência com analistas para comentar os resultados.

Tradicionalmente, o segundo semestre costuma ser mais forte que o primeiro, mas o executivo indicou que o crescimento pode ser maior do que o normal, dependendo das condições do terceiro trimestre.

Menos Investimentos

A companhia, que nasceu da aquisição da Sadia pela Perdigão, prevê reduzir os gastos com investimentos este ano para menos dos 2 bilhões de reais inicialmente previstos.

Segundo Saboya, o corte já estava em pauta desde o final do ano passado, quando a companhia anunciou que previa investir "2 bilhões de reais no ano, mas com viés de baixa".

Os investimentos anuais da BRF deverão cair em cerca de 500 milhões de reais na comparação com 2012.

O total dos gastos de capital (Capex) no primeiro semestre ficou abaixo do projetado, o que terá impacto nos investimentos totais esperados no ano, explicou Saboya.

Saboya disse que a empresa deverá realizar entre 1 bilhão e 1,5 bilhão de reais em Capex este ano --a projeção inicial era de 1,5 bilhão de reais. No primeiro semestre, esses investimentos (excluindo matrizes), somaram 524 milhões de reais.

Normalmente, a companhia gasta cerca de 500 milhões de reais por ano em matrizes de criações, o chamado investimento em "ativos biológicos".

Em 2012, somando Capex e ativos biológicos a empresa investiu 2,5 bilhões de reais, com alta de 25 por cento ante 2011.

"Nós não estamos fazendo redução de Capex que vai comprometer o nosso crescimento", afirmou o presidente-executivo da BRF, José Antônio do Prado Fay, durante a teleconferência.

As ações operavam perto de uma estabilidade por volta das 12h, em linha com o Ibovespa.

integração

A BRF prevê concluir até o final deste ano a integração da infraestrutura logística com foco no seu plano de internacionalização, uma vez que a decisão do Cade (órgão antitruste), após aprovar a operação envolvendo a Sadia, suspendeu algumas marcas no mercado interno, limitando o espaço para expansão doméstica em alguns segmentos.

A companhia vê a possibilidade de expansão no Oriente Médio, e começou a construção de uma fábrica em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, há cerca de um mês e meio atrás.

Abilio Diniz

O novo presidente do Conselho de Administração da BRF, Abilio Diniz, que abriu a conferência com analistas, disse que a companhia tem confiança no mercado interno e na sua capacidade de exportação.

A entrada de Diniz no Conselho foi a partida para uma série de mudanças em vista da necessidade de expandir externamente, incluindo alterações na forma de gestão e a ideia de se criar um "headquarter global", que a empresa ainda não detalhou.

"A BRF está avançando no plano de 100 dias..., mas o mercado não deve esperar nada de espetacular no plano de revisão de gestão", ressaltou Diniz.

Questionado sobre mais detalhes do plano, o presidente-executivo repetiu que o trabalho está em andamento e, por isso, ainda não quer comentar sobre o assunto.

"(O projeto) está em fase de execução, já andaram algumas coisas, mas a companhia não vai publicar agora onde estamos focando ou qual é o guidance deste trabalho", afirmou Fay.

Mas ele acrescentou que não se trata de "nada pirotécnico", mas apenas uma continuidade do processo iniciado pela empresa após a fusão, que é o de buscar as sinergias.

Por Fabíola Gomes e Roberto Samora

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