Condição do trigo do PR desaba após geada; perdas não afetam IPCA

terça-feira, 30 de julho de 2013 17:53 BRT
 

Por Roberto Samora e Camila Moreira

SÃO PAULO, 30 Jul (Reuters) - A condição das lavouras de trigo do Paraná apresentou uma queda expressiva em relação à semana passada, após as geadas que atingiram o principal produtor do cereal do Brasil, mas uma alta do preço da commodity praticamente não afetará o índice oficial de inflação do país, segundo especialistas.

Antes das geadas, 79 por cento da safra de trigo do Paraná tinha boas condições, situação que despencou para 47 por cento, apontou nesta terça-feira o Departamento de Economia Rural (Deral), órgão do governo estadual. A condição ruim foi registrada em 18 por cento das plantações, contra apenas 4 por cento na semana anterior.

Pouco mais de 50 por cento do trigo do Paraná estava vulnerável às geadas quando elas ocorreram, por quatro dias seguidos no Estado na semana passada, na pior onda de frio para o cereal desde 2000 --ano em que a safra estadual foi dizimada pelo fenômeno climático.

Representantes do governo e dos produtores, no entanto, ainda são cautelosos em apontar perdas para a safra, estimada pelo Deral, antes das geadas, em 2,7 milhões de toneladas, ou quase metade da produção do Brasil. No entanto, dados preliminares apontam para prejuízos expressivos.

"Está mais para uma perda 20 por cento da safra", disse o engenheiro agrônomo da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti, ressalvando que ainda é difícil realizar uma estimativa exata.

Em entrevista à Reuters na semana passada, o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Marcelo Vosnika, estimou preliminarmente uma redução potencial na safra de cerca de 10 por cento.

O Deral só divulgará uma estimativa de perdas em meados de agosto.

"Agora, todo mundo diz que perdeu tudo", disse o coordenador da Divisão de Estatística do Deral, Carlos Hugo Godinho, explicando que o governo vai esperar alguns dias para levantar as perdas, até para que o desespero que tomou conta de alguns produtores não contamine os números.   Continuação...