ATUALIZA 1-Brasil cita risco de calote e nega apoio a novo auxílio do FMI à Grécia

quarta-feira, 31 de julho de 2013 11:08 BRT
 

Por Anna Yukhananov e Harry Papachristou

WASHINGTON/ATENAS, 31 Jul (Reuters) - Onze países da América Latina se recusaram a apoiar a decisão do Fundo Monetário Internacional nesta semana de continuar financiando a Grécia, citando riscos de não pagamento, e o FMI informou que Atenas pode precisar de um alívio da dívida mais rápido por parte da Europa.

A abstenção dos países do América Latina em relação à decisão do FMI foi revelada pelo representante brasileiro em um comunicado público incomum nesta quarta-feira, destacando a frustração crescente nas nações emergentes com a política do Fundo de resgatar os países europeus endividados.

"Os recentes desenvolvimentos na Grécia confirmam alguns de nossos piores temores", disse Paulo Nogueira Batista, diretor-executivo do FMI que representa o Brasil e outros dez países da América Latina e Caribe.

"A implementação (do programa de reformas da Grécia) tem sido insatisfatória em quase todas as áreas; as suposições de sustentabilidade de crescimento e dívida continuam a ser otimistas demais", acrescentou Batista, criticando a decisão de segunda-feira da diretoria executiva do FMI de liberar 1,7 bilhão de dólares para a Grécia.

Isso elevou a 28,4 bilhões de euros (37,6 bilhões de dólares) o valor total já oferecido pelo FMI à Grécia --quantia que o país poderá deixar de pagar se for abandonado por seus parceiros da zona do euro, alertou o brasileiro

Ele citou um relatório separado, publicado pelo FMI nesta quarta-feira, que diz que se as reformas na Grécia saírem dos trilhos e os governos europeus retirarem seu apoio, então a "capacidade de Atenas reembolsar parece que será insuficiente".

"Essa declaração está a apenas um passo de contemplar abertamente a possibilidade de uma moratória ou de atrasos nos pagamentos pela Grécia dos seus passivos com o FMI", disse Batista, referindo-se à tradicional política do FMI de proibir a declaração de moratória sobre créditos oferecidos pelo organismo.

Os EUA e países europeus, que controlam a maioria dos votos no conselho executivo do FMI, até agora apoiam solidamente a Grécia, e neste mês o secretário norte-americano do Tesouro, Jack Lew, viajou a Atenas para reiterar essa posição.   Continuação...