2 de Agosto de 2013 / às 12:42 / em 4 anos

Contratações nos EUA diminuem em julho mas taxa de desemprego cai

Funcionários instalam autopeças no novo Chevrolet Cruze em linha de montagem da GM em Lordstown, EUA. Os empregadores dos Estados Unidos desaceleraram o ritmo de contratações em julho, mas a taxa de desemprego caiu mesmo assim, indicações mistas que podem tornar o Federal Reserve, banco central do país, mais cauteloso quanto a reduzir seu forte programa de estímulo econômico. 22/06/2011 REUTERS/Aaron Josefczyk

Por Jason Lange

WASHINGTON, 2 Ago (Reuters) - Os empregadores dos Estados Unidos desaceleraram o ritmo de contratações em julho, mas a taxa de desemprego caiu mesmo assim, indicações mistas que podem tornar o Federal Reserve, banco central do país, mais cauteloso quanto a reduzir seu forte programa de estímulo econômico.

O número de empregos fora do setor agrícola aumentou em 162 mil, informou o Departamento do Trabalho nesta sexta-feira.

Isso ficou abaixo da mediana em pesquisa da Reuters de 184 mil. Somando-se ao resultado abaixo do esperado, o governo também reduziu suas estimativas anteriores para as contratações em maio e junho.

Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego caiu 0,2 ponto percentual, para 7,4 por cento, menor nível desde dezembro de 2008. O aumento de empregos alimentou parte dessa queda, mas a força de trabalho também encolheu durante o mês, roubando parte do brilho da queda na taxa de desemprego.

Os dados reforçam a visão de que o mercado de trabalho está se inclinando para a recuperação, com a economia mais ampla ainda presa em um ritmo baixo de crescimento.

“Nós estamos, de certa forma, avançando lentamente aqui”, disse o diretor-gerente da Rosenblatt Securities, Gordon Charlop.

A questão é se o ritmo de aumento de empregos é suficiente para que o Fed sinta que a economia dos Estados Unidos está preparada para avançar com menos suporte. O banco central do país compra atualmente 85 bilhões de dólares em títulos para manter os custos de empréstimos baixos.

O crescimento das vagas de emprego deixa o ganho média em três meses em 175 mil vagas, e as reações de investidores em relação aos dados foram mistas.

O programa de estímulo do Fed tem diminuído as taxas de juros, estimulando o crescimento no mercado imobiliário problemático do país e impulsionando as vendas de carros. O chairman do Fed, Ben Bernanke, disse no mês passado que o banco central irá provavelmente reduzir o nível das compras mensais até o fim do ano, e encerrá-las em meados de 2014.

PREOCUPAÇÕES ESTRUTURAIS

O relatório de emprego desta sexta-feira pode também estimular visões mais pessimistas sobre a economia.

Por exemplo, analistas se perguntam se o ritmo de criação de empregos pode ser sustentado dado o crescimento econômico mais lento que o esperado.

O Produto Interno Bruto cresceu a um ritmo anual de 1,4 por cento no primeiro semestre do ano, abaixo dos 2,5 por cento no mesmo período do ano passado.

A maioria dos economistas espera que o PIB irá acelerar no segundo semestre deste ano, o que tornaria mais plausível a continuação da atual tendência de contratações.

Mas o fato de que a criação de empregos vem sendo relativamente robusta, apesar da produção fraca, pode apontar para uma possibilidade preocupante: talvez o potencial de crescimento da economia tenha diminuído.

Isso significaria que menos produção é necessária para criar empregos, mas que as rendas cresceriam a um ritmo mais lento no longo prazo. A perspectiva de uma mudança estrutural desse tipo preocupa economistas e investidores.

O relatório desta sexta-feira mostrou que a semana média de trabalho diminuiu para 34,4 horas, enquanto os ganhos médios recuaram 0,1 por cento.

Além disso, o número de desempregados de longo prazo, embora tenha diminuído, permanece historicamente alto. Bernanke vem alertando que essa situação pode prejudicar o potencial de crescimento da economia.

Reportagem de Jason Lange

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