2 de Agosto de 2013 / às 22:58 / 4 anos atrás

Governo fará contratos de opções de café para 3 mi sacas-fontes

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 2 Ago (Reuters) - O governo brasileiro anuncia na segunda-feira um programa de contratos de opções de café para sustentar os preços da commodity, que atingiram nesta semana uma mínima de quatro anos na bolsa de Nova York, disseram duas fontes ligadas ao setor produtivo à Reuters.

O governo poderá comprar pelo menos 3 milhões de sacas de 60 kg de café, caso as opções sejam exercidas pelos produtores, acrescentaram as fontes, que pediram para não serem identificadas.

O objetivo do governo é enxugar um pouco o mercado em um momento em que o Brasil, maior produtor e exportador global de café, colhe uma de suas maiores safras da história, pressionando as cotações internacionais.

O país já colheu cerca de metade da safra 2013/14, estimada em 48,6 milhões de sacas pelo Ministério da Agricultura. Alguns agentes do mercado, entretanto, avaliam que a colheita está mais próxima de 50 milhões de sacas, rivalizando com o recorde da temporada anterior. Instituições como o Departamento de Agricultura dos EUA estimam a safra brasileira em 53,7 milhões de sacas.

Ainda segundo as fontes, o governo anunciará na segunda-feira a liberação aos agentes financeiros dos 3,1 bilhões de reais dos recursos do Funcafé já aprovados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A maior parte desses recursos deve ser destinada a financiamentos de operações de estocagem e de custeio, conforme definição quando os recursos foram aprovados pelo CMN.

“Uma das ações é a liberação dos recursos do Funcafé para os bancos poderem emprestar. Outra medida é o programa de opções, que deve ser para entre 3,2 milhões e 3,5 milhões de sacas”, disse uma das fontes.

A fonte afirmou que não tinha detalhes sobre os valores ou sobre o período de exercício das opções --o setor produtivo reivindica que isso ocorra ainda este ano.

Pelo programa, o produtor adquire contrato de opção que lhe dá o direito de vender o produto ao governo, por um determinado preço, dependendo das condições do mercado.

O produtor exerce o direito de vender ao governo se o preço no mercado estiver abaixo do valor de referência estabelecido no contrato, até o vencimento das opções.

O preço mínimo de garantia do café arábica estimulado pelo governo é de 307 reais por saca --mas não se sabe se o preço mínimo será utilizado no mecanismo, podendo ser outro valor adotado como referência para o valor das opções.

Na hipótese de todos os contratos adquiridos pelos produtores serem exercidos, considerando um preço mínimo de 307 reais por saca, por exemplo, o governo teria um gasto de mais de 900 milhões de reais.

O Indicador Cepea/Esalq do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, uma referência do setor, subiu 1,62 por cento nesta sexta-feira em relação à quinta-feira e fechou a 284,36 reais/saca de 60 kg, acompanhando os futuros de Nova York, que se recuperaram da mínima de quatro anos registrada na véspera.

A modalidade de contratos de opção de venda foi utilizada pela última vez pelo governo brasileiro em 2009, quando o governo também apoiou a comercialização de 3 milhões de sacas de café.

Tradicionalmente, após adquirir o produto, o governo armazena o café até que o mercado volte a ficar sustentado. As posteriores vendas de café dos estoques públicos costumam ocorrer gradualmente, para não impactar os produtores do Brasil.

O Ministério da Agricultura informou nesta sexta-feira que fará um anúncio para apoiar os produtores de café do Brasil na próxima segunda-feira. A assessoria de imprensa do ministério informou que não poderia detalhar o anúncio.

“Na próxima segunda-feira (5), divulgaremos as medidas de apoio à cafeicultura estudadas e discutidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento”, disse o ministro da Agricultura, Antônio Andrade, em sua página no Facebook, sem dar detalhes.

Em junho, o ministro chegou a afirmar a jornalistas em Brasília que o governo adotaria os chamados leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) para apoiar a cafeicultura com 390 milhões de reais. A proposta, segundo as fontes, não prosperou.

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