FMI pede ao Japão que siga com plano de elevar imposto em 2 etapas

segunda-feira, 5 de agosto de 2013 14:00 BRT
 

Por Leika Kihara

TÓQUIO, 5 Ago (Reuters) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou ser essencial que o Japão avance com seu plano de dobrar o imposto sobre vendas em duas etapas a partir do próximo ano, em meio a sinais de que o governo está reconsiderando a ideia por preocupação de que possa afetar a nascente recuperação econômica.

O FMI também pediu que o banco central do país esteja pronto para expandir seu esquema de compra de títulos ou mudar o que compra se a inflação não acelerar como esperado, ou se os mercados de títulos do governo mostrarem volatilidade de novo.

Com a enorme dívida pública do Japão deixando o país com pouco espaço para oferecer estímulo fiscal adicional, a política monetária deveria ser a primeira linha de defesa contra riscos ao crescimento, como o enfraquecimento das exportações à China, disse o FMI em um relatório detalhado sobre suas consultas anuais junto a autoridades divulgado nesta segunda-feira.

O Japão deve elevar o imposto de 5 por cento para 8 por cento em abril e para 10 por cento em outubro de 2015. O FMI disse que esse é um "primeiro passo essencial" para resolver os problemas fiscais japoneses.

"A ausência de reformas estruturais e fiscais de credibilidade pode pesar sobre a confiança e minar o sucesso das reformas iniciadas. Isso seria não apenas prejudicial ao Japão, mas também para o resto do mundo", disse o FMI.

O BC japonês adotou medidas de estímulo para acabar com 15 anos de deflação, prometendo dobrar a oferta de dinheiro para alcançar a meta de inflação de 2 por cento em dois anos.

A estratégia é comprar mensalmente cerca de 7,5 trilhões de ienes (76 bilhões de dólares) em títulos do governo de longo prazo, assim como ativos de risco como bônus corporativos e fundos de investimentos focados em ações e imóveis.

O BC deveria se preparar para aumentar as compras de títulos, ou mudar a composição das aquisições para comprar mais ativos de risco do que títulos do governo, se os riscos à recuperação japonesa aumentarem e impedirem a inflação de acelerar, disse o FMI.

A dívida pública do Japão é a maior entre os principais países industrializados, em mais de duas vezes o tamanho de sua economia de 500 trilhões de ienes, e o aumento do imposto sobre vendas é considerado um teste ao compromisso do governo em realizar reformas.