ENTREVISTA-Real mais fraco não altera mix de safra "alcooleira", diz Unica

segunda-feira, 5 de agosto de 2013 16:48 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 5 Ago (Reuters) - A indústria de cana-de-açúcar do Brasil continuará a privilegiar a produção de etanol em detrimento do açúcar na segunda parte da safra 2013/14, mesmo com a atual taxa de câmbio aumentando a competitividade das exportações do adoçante brasileiro, disse a presidente da Unica, entidade que representa o setor do centro-sul.

As usinas da principal região produtora de cana do país, que responde por cerca de 90 por cento da moagem da matéria-prima do açúcar e do etanol, estão próximas de concluir o processamento da primeira metade de uma safra recorde, estimada em cerca de 590 milhões de toneladas.

Do total processado até a primeira quinzena de junho, 57,4 por cento da matéria-prima foi destinada para a produção do biocombustível, contra 52,7 por cento no mesmo período do ano passado. O açúcar está sendo cotado no mercado externo perto de mínimas de três anos.

"Nada mudou em relação à perspectiva de safra, de que será uma safra bem mais alcooleira este ano, até porque o preço do açúcar não está convidativo", disse à Reuters a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, em um momento em que alguns se perguntam se o dólar mais forte frente ao real poderia alterar algo no "mix".

O primeiro contrato do açúcar em Nova York era cotado nesta segunda-feira a cerca de 16,50 centavos de dólar por libra-peso, depois de ter atingido a mínima de três anos, a 15,93 centavos, em julho.

O dólar atingiu seu patamar mais alto frente ao real em mais de quatro anos na semana passada, a 2,30 reais, e se mantém neste patamar nesta segunda-feira. No ano até o fechamento da sexta-feira, o dólar acumula alta de 11,7 por cento ante o real.

"Câmbio favorece exportações (de açúcar), sem dúvida se torna competitivo nas exportações, mas os estoques mundiais estão muito altos, o movimento do câmbio não muda o movimento da cana este ano", disse Elizabeth.

Questionada então se as exportações de etanol, que seguem majoritariamente para os EUA, poderiam ser beneficiadas pelo câmbio, a executiva minimizou, lançando uma preocupação.   Continuação...