Dólar volta a fechar acima de R$2,30; mercado atento para BC

segunda-feira, 5 de agosto de 2013 17:29 BRT
 

Por Bruno Federowski e Marília Carrera

SÃO PAULO, 5 Ago (Reuters) - O dólar fechou em alta e voltou ao patamar de 2,30 reais nesta terça-feira, alimentando expectativas de atuação do Banco Central, diante da apreensão sobre a economia brasileira e sobre as perspectivas para a política monetária dos Estados Unidos.

A moeda norte-americana subiu 0,68 por cento, para 2,3035 reais na venda. É o maior nível para a divisa no fechamento desde 31 de março de 2009, no auge da crise financeira internacional, quando ficou em 2,319 reais. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,9 bilhão de dólares.

"A pergunta não é 'por que subiu?', é 'por que não subiria?'. Todos os fatores, tanto lá fora quanto aqui dentro, contribuem para que o investidor tire dinheiro daqui", afirmou o operador de uma corretora brasileira sob condição de anonimato.

Economistas de instituições financeiras reduziram as perspectivas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2013, ao mesmo tempo em que pioraram a projeção para a inflação nos próximos 12 meses, de acordo com a pesquisa Focus do BC divulgada nesta segunda-feira.

Segundo analistas, o frágil cenário econômico brasileiro leva investidores a fazerem hedge para se proteger da esperada valorização da moeda norte-americana. Essas operações, por sua vez, pressionam para cima o dólar, alimentando expectativas de novos leilões do BC caso a divisa se sustente em patamares acima de 2,30 reais, o que pode ser inflacionário.

No último pregão, o BC fez novo leilão de swap cambial tradicional --equivalente à venda de dólares no mercado futuro-- o que ajudou a moeda norte-americana a fechar em baixa, encerrando cinco sequências de alta.

Os investidores ainda estavam em alerta sobre o Federal Reserve, banco central norte-americano, e se ele poderá manter seu programa de estímulos por um período mais prolongando, continuando a injetar 85 bilhões de dólares mensais nos mercados internacionais.

Na sexta-feira, diante do dados piores no mercado de trabalho nos Estados Unidos, o mercado entendeu que o programa poderia durar mais, mas continuava à espera de mais dados econômicos para confirmar as impressões.

"A economia dos Estados Unidos vai trazer consequências, para o bem ou para o mal, durante sua recuperação", disse o operador de câmbio da Treviso Corretora Reginaldo Galhardo.