5 de Agosto de 2013 / às 20:35 / em 4 anos

Venda antecipada de soja do país será lenta até início da colheita, diz Agroconsult

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO, 5 Ago (Reuters) - As incertezas sobre preços da soja e sobre custos --principalmente de logística-- deverão manter as vendas antecipadas da oleaginosa do Brasil em um ritmo lento até o início da colheita, com produtores e empresas aguardando para fechar contratos, avaliou nesta segunda-feira a Agroconsult.

As vendas antecipadas estavam em ritmo acelerado nesta mesma época no ano passado, com agricultores e indústrias aproveitando preços elevados e grande demanda internacional, em função de uma perspectiva --que foi posteriormente confirmada-- de quebra de safra nos EUA devido a uma seca.

A situação é diferente este ano, uma vez que os agricultores norte-americanos têm registrado clima amplamente favorável em suas lavouras, que estão em desenvolvimento, e a expectativa é de uma safra recorde nos Estados Unidos.

A consultoria estima que a comercialização antecipada da safra 2013/14, que começará a ser plantada no Brasil em meados de setembro e deve ser colhida a partir de janeiro, esteja em cerca de 35 por cento do volume previsto. Na mesma época em 2013, o índice era de cerca de 50 por cento.

A projeção é que até o início da colheita este índice suba para apenas 40 por cento, contra 70 por cento no início da última colheita.

“Daqui para a frente, não vende mais nada”, disse à Reuters o diretor da Agroconsult, André Pessôa, no intervalo de evento da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

Os preços da soja da nova safra na bolsa de Chicago têm registrado forte queda nas últimas semanas, em função das perspectivas de boa colheita nos EUA, o que poderá impactar o tamanho da área a ser plantada no Brasil, na avaliação da associação da indústria (Abiove).

Outro fator que esfria os negócios no Brasil, segundo Pessôa, é a dificuldade das tradings para fechar contratos com transportadoras, garantindo determinados volumes de frete para o escoamento no primeiro semestre de 2014.

A avaliação é que a nova lei dos caminhoneiros --que reduziu o número de horas dos profissionais ao volante, diminuindo por consequência as distâncias percorridas-- provocou diversos problemas na última safra, e agora as empresas não querem assumir compromissos com grandes volumes, uma vez que não sabem se terão disponibilidade de caminhões para realizar os fretes.

“A transportadora não está correndo este risco”, disse Pessôa.

O resultado é que, para determinados volumes, as empresas compradoras ainda não conseguiram fixar os custos de logística, o que esfria o ânimo para os negócios.

“A trading não tem o preço deste frete.”

PREOCUPAÇÃO

As empresas estão preocupadas com os custos de logística, afirma o presidente da associação que reúne o setor.

“Você não ter uma segurança no custo do frete é terrível. (...) As commodities têm uma margem pequena. São volumes grandes e margens pequenas. Se a você tem uma logística que te come pela perna, no meio do processo, sem que você espere, aquilo te destrói”, disse o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, em entrevista.

O presidente da Abiove disse que 2013 foi um ano de negociações mais firmes entre indústrias e transportadoras.

“Em patamares altíssimos, é verdade”, disse ele, que não espera aumentos tão grandes em 2013/14 como os que ocorreram para a safra 2012/13.

Lovatelli estima que os custos de frete de soja tenham subido mais de 20 por cento na última safra, dependendo da empresa, e para a próxima terão crescimento “vegetativo”.

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