6 de Agosto de 2013 / às 20:29 / 4 anos atrás

Empresa de transportes e logística ALL tem prejuízo no 2o tri por baixa contábil na Argentina

Por Roberta Vilas Boas

SÃO PAULO, 6 Ago (Reuters) - A empresa América Latina Logística S.A. (ALL) registrou prejuízo líquido no segundo trimestre, afetado pela baixa contábil de ativos na Argentina, cujas concessões ferroviárias foram rescindidas pelo governo do país vizinho no início de junho.

Entre abril e junho deste ano, a empresa teve prejuízo de 74,4 milhões de reais, ante lucro de 154 milhões de reais no mesmo período do ano passado. Excluindo os efeitos da baixa na Argentina, a ALL teve um lucro de 171,6 milhões de reais no segundo trimestre, 5,5 por cento acima do lucro equivalente (sem Argentina) de 162,6 milhões de reais no mesmo período de 2012.

Analistas esperavam, em média, um lucro líquido de 90,45 milhões de reais, segundo pesquisa da Reuters.

Ainda pelo efeito negativo de 228,6 milhões de reais das operações na Argentina, a ALL fechou o semestre com prejuízo de 46,5 milhões de reais.

O governo argentino rescindiu as concessões da ALL no país em 5 de junho, mas a empresa de logística e transporte já estava planejando deixar a Argentina desde 2012 por conta das condições políticas e econômicas e “a fim de concentrar os esforços de gestão em suas operações no Brasil”, disse a empresa em comunicado.

A empresa observou ainda que a operação no país vizinho representou uma parte muito pequena dos resultados consolidados da ALL nos últimos anos, mas vinha exigindo “um foco desproporcional da administração”.

A empresa disse que os ativos da ALL Argentina possivelmente não poderão ser recuperados. Mas a empresa busca uma indenização do governo argentino, segundo o diretor de relações com investidores da empresa, Rodrigo Campos, mas ainda não há definições sobre isso.

“Tem o caso de desequilíbrio econômico forte, então a gente acha que tem direito a indenização”, afirmou Campos, em entrevista por telefone, acrescentando que a ALL ainda calcula o valor que acredita ter direito a receber.

A geração de caixa medida pelo lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) totalizou 578,4 milhões de reais no segundo trimestre, alta de 12,6 por cento ante o segundo trimestre de 2012. A margem Ebitda subiu de 55,6 para 55,9 por cento.

Segundo a ALL, o crescimento no Ebitda foi influenciado pela unidade de operações ferroviárias, que teve um Ebitda ajustado de 560,2 milhões de reais no período.

“O número foi alcançado apesar de uma queda marginal nos volumes transportados no trimestre, uma vez que fomos capazes de aumentar o yield (tarifa média) e melhorar nossas margens no segundo trimestre”, informou a empresa.

A tarifa média nesse segmento de atuação da ALL subiu 11,7 por cento no período, com a empresa conseguindo repassar a inflação e o aumento do preço do diesel, enquanto a margem subiu de 61,8 para 62,1 por cento.

Os volumes transportados pela ALL Operações Ferroviárias tiveram queda de 0,2 por cento no segundo trimestre ante o ano anterior, segundo já havia sido informado pela ALL em prévia de resultados em meados de julho, impactados por um incêndio no Terminal de Granéis do Guarujá, pela greve portuária de dois dias e obras de expansão no Porto de Santos.

Campos lembrou que os problemas nos portos afetam diretamente as ferrovias, mas acredita que nos próximos trimestres haverá melhora.

“Portos tiveram um impacto muito grande no nosso trimestre. Ferrovias e portos são das coisas que mais têm sinergias (...). Ao longo dos próximos trimestres a gente vê melhora”, disse.

A receita líquida da empresa teve alta de 11,9 por cento, totalizando 1,034 bilhão de reais. A expectativa de analista era de uma receita líquida de 1,079 bilhão de reais.

As ações da empresa fecharam em queda de 4,27 por cento, a 8,74 reais, enquanto o Ibovespa recuou 2,09 por cento, de acordo com dados preliminares.

A ALL também informou que iniciará nesta terça-feira a fase de testes do trecho ferroviário entre as cidades de Itiquira e Rondonópolis, ambas no Mato Grosso, após ter recebido licença de operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama).

Com a licença, a ALL poderá conectar uma importante região produtora agrícola de Mato Grosso à ferrovia que leva as cargas para exportação até o porto de Santos (SP), aumentando a competitividade do produto da região Centro-Oeste.

A empresa espera que os volumes cresçam gradativamente e que, no decorrer de setembro, o trecho esteja operando com capacidade regular.

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