7 de Agosto de 2013 / às 15:50 / em 4 anos

Alimento e transporte derrubam IPCA para menor alta em 3 anos

Clientes compram ovos em mercado em São Paulo. A inflação ao consumidor brasileiro atingiu em julho a menor taxa em três anos favorecido pela queda dos preços de Transportes e Alimentos, voltando a ficar abaixo do teto da meta do governo no acumulado em 12 meses. 28/04/2013 REUTERS/Paulo Whitaker

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 7 Ago (Reuters) - A inflação ao consumidor brasileiro atingiu em julho a menor taxa em três anos favorecido pela queda dos preços de Transportes e Alimentos, voltando a ficar abaixo do teto da meta do governo no acumulado em 12 meses.

Entretanto, com os efeitos transitórios que favoreceram essa desaceleração se diluindo a partir de agosto, a alta dos preços deve voltar a acelerar. Ainda assim, a fraqueza da economia tende a ajudar a manter a inflação sob controle.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou variação positiva de 0,03 por cento em julho, após alta de 0,26 por cento em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Essa é a menor taxa da inflação medida pelo IPCA desde julho de 2010, quando houve avanço de 0,01 por cento.

No acumulado de 12 meses em julho, a inflação medida pelo IPCA ficou em 6,27 por cento, registrando a menor alta acumulada desde janeiro deste ano, que foi de 6,15 por cento, e voltando a ficar abaixo do teto da meta do governo, de 4,5 por cento com tolerância de 2 pontos percentuais. Nos 12 meses encerrados em junho, o IPCA tinha subido 6,70 por cento.

Os resultados, entretanto, ficaram acima da expectativa mostrada em pesquisa da Reuters, cujas medianas das projeções eram de queda de 0,02 por cento no mês e alta de 6,23 por cento na base anual.

“O IPCA não foi negativo porque algumas despesas, como empregado doméstico, impediram. A inflação foi mais benéfica com as pessoas de menor renda, em que transportes e alimentos têm muito mais peso”, disse a economista do IBGE Eulina Nunes dos Santos.

ALIMENTOS E TRANSPORTES

As principais influências para a desaceleração do IPCA vieram dos grupos Transportes e Alimentação e Bebidas. O primeiro, com peso de 24,65 por cento, e o segundo, com peso de 19,15 por cento, somam juntos 43,80 por cento do índice e foram responsáveis por -0,21 ponto do IPCA em julho.

Transportes registrou queda de 0,66 por cento no mês passado ante alta de 0,14 por cento em junho, a queda mais intensa no grupo desde junho de 2012 (-1,18 por cento). Isso representou um impacto de -0,13 ponto percentual no índice do mês.

A queda foi resultado da revogação do aumento das tarifas do transporte público em várias capitais, em função dos protestos que começaram em junho, como já vinham mostrando outros indicadores de preços.

Já o grupo Alimentação e Bebidas mostrou queda de 0,33 por cento em julho, após subir 0,04 por cento em junho, com impacto de -0,08 ponto percentual. Essa foi a primeira deflação de alimentos desde julho de 2011, quando houve queda de 0,34 por cento.

Mas os preços dos alimentos subiram muito no ano. Enquanto o IPCA teve alta de 3,18 por cento no acumulado do ano, eles subiram 5,67 por cento --no mesmo período do ano passado, a alta dos alimentos foi de 4,19 por cento. Nos últimos 12 meses, o avanço acumulado foi de 11,42 por cento, enquanto em 2012 os alimentos subiram 9,86 por cento

CRESCIMENTO E DÓLAR

Os efeitos que favoreceram as quedas em transportes e alimentos, entretanto, perderão força em agosto, para quando a consultoria LCA estima alta do IPCA de 0,32 por cento.

“Sobretudo por projetarmos que o grupo Alimentação e bebidas trará relevantes pressões de panificados, derivados de trigo e carnes. Além disso, os efeitos das revogações das tarifas de transporte público sairão de cena ao longo de agosto”, disse a LCA em nota.

Entretanto, a fraqueza da economia deve ajudar a manter a inflação sob controle e abaixo do teto da meta. Já há avaliações, tanto dentro da equipe econômica quanto no Palácio do Planalto, de que a atividade pode perder força no terceiro trimestre.

“Já houve evidência disso, com alimentação fora do domicílio, ao passar de 0,79 por cento no IPCA-15 para 0,45 por cento no IPCA. Isso para mim já é evidência da demanda fraca contendo a inflação”, disse a economista da Tendências Alessandra Ribeiro.

Mas é preciso observar os efeitos do dólar sobre os preços domésticos. Segundo o IBGE, o IPCA de julho apresentou os primeiros sinais do impacto da alta do dólar, destacadamente em itens como farinha de trigo, pão francês e excursões.

“Numa situação em que vários produtos estão em queda, fica mais difícil evidenciar o efeito do dólar. Ele está presente, mas não dá para ver claramente ou que se transformou em um vilão”, disse Eulina, do IBGE.

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, havia afirmado na terça-feira que a inflação começa a convergir para o centro da meta no segundo semestre.

Tombini tem dito que o objetivo da autoridade monetária é fazer a alta do IPCA deste ano encerrar abaixo da de 2012, mas nesta manhã o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse não saber se a inflação de 2013 ficará abaixo da de 2012

O mercado volta-se agora para reunião em 27 e 28 de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC para decidir o novo patamar da Selic, atualmente em 8,5 por cento.

“O resultado contribuiu para que o BC não tenha tenta pressão no momento de escolher entre a atividade e o controle da inflação. Dá uma aliviada para não ter que acelerar o ritmo (de aperto)”, avaliou o analista da Austin Rating Wellington Ramos.

A aposta do mercado no momento é que o Copom elevará o juro básico novamente em 0,5 ponto percentual este mês.

Para mais detalhes sobre o IPCA de julho, clique em here

Reportagem adicional de Felipe Pontes no Rio de Janeiro; Edição de Alexandre Caverni

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