August 7, 2013 / 8:38 PM / 4 years ago

Governo anuncia contratos de opção para 3 mi de sacas de café

6 Min, DE LEITURA

Por Gustavo Bonato

7 Ago (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta quarta-feira em Minas Gerais o lançamento de contratos de opção de venda para 3 milhões de sacas de café, atendendo a uma demanda de cafeicultores do maior produtor mundial em meio a preços baixos no mercado internacional.

A medida significa que o governo poderá comprar café e acumular estoques, caso os preços da commodity não reajam até o vencimento das opções.

Os preços do café arábica negociados em Nova York ampliaram ganhos após o anúncio de Dilma e fecharam em alta de mais de 2 por cento, após atingir uma mínima de quatro anos na semana passada.

A presidente disse em discurso durante evento em Varginha (MG) que os contratos de opção terão preço de exercício de 343 reais por saca de 60 kg, com vencimento previsto em março de 2014 --produtores queriam vencimento já neste ano.

Caso todos os contratos sejam exercidos, o governo deverá desembolsar cerca de 1 bilhão de reais com este mecanismo de apoio ao setor.

Integrantes da cadeia do café no Brasil afirmam que as medidas anunciadas nesta quarta-feira deverão ajudar a sustentar os preços no país.

"O timing não foi dos melhores, mas antes tarde do que nunca. A opção serve muito como preço de referência para dar balizamento para produtor e mercado", disse o superintendente de café da cooperativa Cooparaíso, de Minas Gerais, Francisco Ourique.

Fontes ligadas ao setor produtivo haviam antecipado à Reuters, na última sexta-feira, a medida anunciada nesta quarta-feira pelo governo, que tem o objetivo de enxugar a oferta em meio à colheita de uma grande safra no Brasil.

Para Eduardo Carvalhaes, diretor da tradicional corretora Carvalhaes, de Santos (SP), os contratos de opção deverão retirar do mercado um volume importante de café de boa qualidade, numa safra que deverá apresentar volume reduzido de grãos excelentes, em função de chuvas entre junho e julho.

"Justamente dos cafés que serão mais escassos é que o governo vai comprar", disse ele à Reuters. "Dá uma sinalização para o mercado de que, se o preço não ficar entre 320 ou 330, o governo vai retirar do mercado 3 milhões de sacas de café de boa qualidade", disse Carvalhaes.

O indicador diário de preços à vista do café arábica Cepea/Esalq aponta que o produto está sendo negociado atualmente a cerca de 283 reais por saca.

A última vez que o governo ofertou contratos de opção de venda de café foi em 2009, também num volume de 3 milhões de sacas, em meio a uma baixa do mercado internacional.

Apoio a Minas, Compras Diretas

Dilma fez o anúncio desta quarta-feira ao lado do ministro da Agricultura, Antônio Andrade, que é de Minas Gerais, Estado que colhe mais da metade de café do país, o maior exportador global da commodity.

"Sabemos que a situação internacional é de preços voláteis. Nosso governo tem tomado uma série de medidas para reduzir o efeito negativo que se tem num cenário desses", disse a presidente às rádios.

Além dos contratos de opção, a presidente anunciou ainda que o governo ajudará a financiar a estocagem do café.

"Os cafeicultores que estão começando a colher não precisam comercializar imediatamente sua produção, pois vão dispor de recursos para manter os seus produtos estocados, na expectativa de elevação do preço da saca nos próximos meses", disse a presidente, no discurso.

Dilma garantiu ainda que haverá recursos "imediatamente" para a compra de café pelo preço mínimo, que foi fixado recentemente em 307 reais por saca.

"Evitamos com isso, que os pequenos produtores vendam sua produção no curto prazo a um preço vil."

Dilma não deu detalhes ou estimou volumes para as compras pelo preço mínimo.

Banco Do Brasil E funcafé

Além das medidas anunciadas pela presidente, o Banco do Brasil deverá destinar mais 1,570 bilhão de reais para financiamentos ao setor, cobrando taxa de juros do crédito rural, segundo informações do Conselho Nacional do Café (CNC), órgão ligado aos produtores que negociou com o governo.

O banco não respondeu imediatamente a um pedido de confirmação destes valores.

Do total, o Banco do Brasil deverá destinar 1 bilhão para financiar aquisição e estocagem do produto, e 570 milhões de reais para apoiar compra por parte das indústrias, disse o CNC.

O CNC, que representa cooperativas, afirmou também que recebeu a confirmação do rateio dos recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), que somarão 3,16 bilhões de reais na safra atual, incluindo 1,14 bilhão para estocagem e 650 milhões para custeio e colheita.

Somando-se todos os recursos, a cafeicultura deverá receber um volume de cerca de 5,76 bilhões de reais na atual temporada, "o maior registrado na história, apesar do atraso na divulgação", segundo o CNC.

Na avaliação do superintendente da Cooparaíso, o somatório dos mecanismos de apoio implementados pelo governo deverá sustentar os preços de cerca de 17 milhões de sacas de café na atual temporada, que tem colheita estimada em cerca de 50 milhões de sacas.

"O governo, ou retirou do mercado ou está forçando a comercialização acima de 307 reais de 17 milhões de sacas", disse Ourique, lembrando que diversas linhas de financiamento bancário exigem café como garantia, retirando produto do mercado.

"A minha conclusão é que a partir de janeiro, se ele (mercado) quiser café, vai ter que comprar café financiado."

Com reportagem adicional de Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro

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