Recurso contábil ajuda Braskem a cortar prejuízo no 2o tri

quinta-feira, 8 de agosto de 2013 13:44 BRT
 

Por Roberta Vilas Boas

SÃO PAULO, 8 Ago (Reuters) - A petroquímica Braskem reduziu o prejuízo líquido no segundo trimestre, ante igual período do ano passado, e evitou uma perda bilionária ao adotar recurso contábil de classificar parte de seus passivos em dólar como hedge de suas futuras exportações.

Ao mesmo tempo, a empresa sinalizou melhora nas expectativas operacionais, após registrar crescimento nas suas vendas no primeiro semestre. A empresa prevê agora que a demanda por resinas em toda a indústria no Brasil crescerá em torno de 7 por cento neste ano, ante a previsão anterior de 5 por cento.

A empresa encerrou o período de abril a junho de 2013 com prejuízo líquido de 128 milhões de reais, abaixo do resultado negativo de 1,033 bilhão de reais registrado um ano antes. Segundo a empresa, caso a operação de hedge não tivesse sido adotada, as perdas seriam de 1,082 bilhão de reais. No primeiro trimestre, a maior petroquímica da América Latina teve lucro de 227 milhões de reais.

A Braskem anunciou em julho que havia decidido classificar, a partir de 1o de maio, parte de seus passivos em dólar como hedge de suas futuras exportações em estratégia semelhante à adotada pela Petrobras.

O resultado da estratégia permitiu à companhia reduzir fortemente o impacto contábil negativo da desvalorização de 10 por cento do real frente ao dólar para 126 milhões de reais. "Caso essa prática não tivesse sido adotada, esse impacto no resultado financeiro da Braskem teria sido negativo em 1,5 bilhão de reais", informou a companhia no balanço.

Embora considere que o quadro da economia global continua desafiador, a Braskem melhorou sua expectativa para demanda de resina no Brasil, em meio ao forte desempenho de alguns setores e após registrar crescimento de 14 por cento nas vendas para o mercado interno no primeiro semestre, ante igual período de 2012.

"Tem setores que estão performando melhor, como infraestrutura e varejo, que no ano passado foram impactados pela questão da sacolinha, que nós conseguimos reverter", afirmou o presidente da empresa, Carlos Fadigas, a jornalistas, em referência a proibição as sacolas plásticas que chegou a vigorar nos supermercados em 2012.

Fadigas ressaltou que no primeiro semestre, com a valorização do câmbio e consequente aumento nos preços de resinas, clientes da empresa aproveitaram para estocar produtos, e por isso, o crescimento na demanda no restante do ano deve ser mais fraco. "O setor comprou a mais e estocou. Acredito que vai comprar menos (no segundo semestre), mas isso não vem da economia, e sim do consumo de estoques".   Continuação...