8 de Agosto de 2013 / às 22:17 / 4 anos atrás

Vale deve adotar programa para diluir impacto do câmbio em 2014

Por Sabrina Lorenzi

RIO DE JANEIRO, 8 Ago (Reuters) - A mineradora Vale deve adotar um programa de diluição do impacto cambial nos resultados da empresa, após a alta do dólar no segundo trimestre ter provocado um impacto contábil negativo de mais de 4 bilhões de reais no seu lucro.

A segunda maior mineradora do mundo avalia mudar a contabilidade para o próximo ano, conforme permitido pela legislação, para amenizar os efeitos de bruscas variações cambiais no resultado financeiro, disse nesta quinta-feira o diretor financeiro da segunda maior mineradora do mundo, Luciano Siani.

O programa permitirá à companhia usar sua receita em dólar como hedge de seu passivo denominado em moeda estrangeira, eliminando ou diluindo o impacto contábil da variação cambial de um trimestre em vários outros trimestres, dentro da legislação que rege a divulgação de resultados, explicou Siani.

"Avaliamos para o futuro o programa de 'hedge accounting", anunciou o presidente-executivo da Vale, Murilo Ferreira, durante teleconferência para apresentação de resultados da mineradora.

Mecanismo similar foi adotado recentemente por outra gigante brasileira, a Petrobras.

O lucro líquido da Vale despencou no segundo trimestre para 832 milhões de reais, ante 5,32 bilhões de reais no mesmo período de 2012, refletindo perdas contábeis bilionárias por conta do efeito da valorização do dólar na sua dívida, informou a mineradora na quarta-feira.

O efeito negativo do dólar mais alto sobre o resultado trimestral da Vale foi meramente contábil, destacaram executivos da companhia durante a teleconferência, com perspectivas positivas para o lado operacional daqui para frente, já que o principal produto da mineradora é vendido em dólar e seus custos são realizados em reais.

AÇÕES SOBEM

Relatórios de bancos de investimentos enviados ao mercado nesta quinta-feira destacam o desempenho operacional positivo da companhia, levando as ações da empresa a subirem 2,99 por cento, fechando a 29,93 reais - maior nível em pouco mais de dois meses.

Para o Bank of America Merril Lynch, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização na sigla em inglês) da Vale no segundo trimestre ficou acima das expectativas, com um sólido volume nos embarques de minério, bem como boa performance dos metais básicos, com o ramp up de Salobo.

O Morgan Stanley afirmou em relatório que a Vale conseguiu entregar um conjunto de números sólidos no segundo trimestre, com controle de custos, despesas e investimentos.

"Apesar deste resultado mais fraco, continuamos otimistas para o desempenho da Vale em 2013 e nos próximos anos, quando a empresa terá saltos importantes em sua produção de minério", disse também a corretora Planner.

DESINVESTIMENTO À VISTA

A Vale pretende manter a sua estratégia de reduzir custos e conter os investimentos, priorizando projetos com maior retorno financeiro. Segundo Murilo Ferreira, o Conselho de Administração da Vale aprovou a venda de fatia da companhia de logística VLI, e o anúncio do negócio deverá ser anunciado no final deste mês.

Três empresas, das quais duas estrangeiras, estão adquirindo a parcela da VLI, disseram executivos da Vale.

Novos anúncios de desinvestimentos deverão ser feitos, assim que forem aprovados pelo Conselho de Administração.

Ferreira disse ainda que a Vale não elevará sua fatia da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), cujo controle foi colocado à venda pela sócia alemã ThyssenKrupp.

"A Vale já fez o que tinha que fazer pela siderúrgica, por sua implantação", disse.

A empresa descartou comprar o Porto do Sudeste, da MMX, ou qualquer outro ativo do grupo EBX, de Eike Batista.

A empresa também procura viabilizar outros projetos de potássio, depois de ter desistido do projeto Rio Colorado, na Argentina, e no final do ano deverá ser apresentado ao Conselho o projeto Carnalitas, no Sergipe, disse o diretor Roger Downey.

OTIMISMO COM CHINA

Apesar da queda na produção de minério de cerca de 9 por cento no segundo trimestre, provocada por um prolongamento do período de chuvas em Carajás, no Pará, a empresa pretende produzir as 306 milhões de toneladas estimadas para 2013.

A mineradora espera uma recomposição dos estoques de minério de ferro na China, seu principal mercado, nos próximos meses, com tendência de aumento de preços do produto no terceiro trimestre deste ano e continuidade da demanda chinesa, afirmou o diretor de ferrosos e estratégia da companhia, José Carlos Martins.

O preço médio do minério de ferro deverá fechar 2013 a 130 dólares por tonelada, um pouco abaixo da média atual de 135 dólares a tonelada, com perspectiva de queda no preço apenas no fim do ano, disse Martins.

"O crescimento da China desmente os pessimistas", disse Ferreira. Segundo os executivos, tudo indica que o processo de urbanização na China continuará crescendo, com demanda firme por aço.

A percepção de preços maiores no terceiro trimestre --e um consequente impacto positivo no caixa da Vale-- ocorre em meio a uma redução recente nos volumes de minério mantidos nos portos e por siderúrgicas, disse Martins.

A China, maior consumidor do mundo de minério, conta com 60 dias de estoque.

Por outro lado, Martins disse que os estoques de minério na China para fins especulativos tendem a ser reduzidos.

A Vale informou também que não vê mudança no preço do níquel no curto prazo, com o produto se valorizando mais fortemente no mercado no longo prazo.

Reportagem Sabrina Lorenzi e Jeb Blount

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