Crescimento do Japão desacelera no 2º tri e cria incerteza sobre aumento de imposto

segunda-feira, 12 de agosto de 2013 07:19 BRT
 

Por Leika Kihara

TÓQUIO, 12 Ago (Reuters) - A economia do Japão cresceu a um ritmo mais lento do que o esperado no segundo trimestre, dando munição para aqueles que procuram adiar a implementação de um aumento do imposto sobre as vendas, mesmo num momento em que a dívida do governo ultrapassou 1 quatrilhão de ienes (10,4 trilhões de dólares).

As despesas de capital caíram inesperadamente pelo sexto trimestre consecutivo, um sinal de que as empresas ainda não elevaram seus investimentos, apesar da sentimento positivo gerado pelas políticas do primeiro-ministro, Shinzo Abe, para gerar inflação.

A terceira maior economia do mundo cresceu a uma taxa anualizada de 2,6 por cento entre abril e junho, o terceiro trimestre consecutivo de expansão, mas abaixo da expectativa de crescimento de 3,6 por cento. A taxa do primeiro trimestre foi revisada para crescimento de 3,8 por cento.

"Não há necessidade de elevar o imposto sobre vendas com pressa", disse o professor emérito da Universidade de Yale Koichi Hamada, conselheiro de Abe, à Reuters.

"Uma ideia é adiar tudo por um ano. Sinto que o aumento do imposto sobre as vendas, como previsto, pode prejudicar a economia."

Abe foi eleito em dezembro passado prometendo realizar estímulo fiscal e monetário agressivo para reanimar a economia japonesa.

Um impacto imediato foi um acentuado enfraquecimento do iene, um aumento nos preços de ações e uma forte expansão do consumo pessoal no início de 2013. Mas há dúvidas sobre o compromisso com a terceira etapa: reformas estruturais.

Como parte dos esforços para reduzir sua dívida, que é cerca do dobro do tamanho do PIB, o Japão prevê aumentar o imposto de 5 por cento sobre as vendas para 8 por cento em abril do ano que vem e para 10 por cento em outubro de 2015.

A dívida pública ultrapassou 1 quatrilhão de ienes --ou 10,4 trilhões de dólares-- pela primeira vez em junho, revelam dados do Ministério das Finanças, destacando a necessidade de mais impostos ou novas receitas.

"O crescimento acima de 2 por cento ainda é considerado alto, por isso não acredito em um adiamento completo do aumento do imposto sobre vendas. Mas o governo poderia fazer aumentos mais graduais do imposto", disse o economista-chefe do Norinchukin Research Institute, Takeshi Minami.