Governo anuncia nesta 2a adiamento do leilão do trem-bala--fonte

segunda-feira, 12 de agosto de 2013 15:26 BRT
 

Por Leonardo Goy

BRASÍLIA (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff decidiu no domingo pelo adiamento do leilão do trem-bala que vai ligar as cidades de Campinas (SP), São Paulo e Rio de Janeiro, disse uma fonte a par do assunto nesta segunda-feira. O anúncio oficial do adiamento será feito nesta tarde, durante entrevista coletiva à imprensa convocada pelo ministro dos Transportes, César Borges.

Segundo a fonte, o novo cronograma da licitação ainda está sendo discutido por técnicos do governo.

O adiamento acabou se tornando inevitável por uma sequência de fatores que vão desde as investigações de corrupção em São Paulo e em Brasília e que envolvem alguns dos principais fabricantes de equipamentos ferroviários do mundo, até o acidente com um trem da estatal espanhola Renfe que matou quase 80 pessoas no final de julho.

O acidente lançou dúvidas sobre a participação do consórcio da Espanha no leilão, já que o edital veta a participação de empresas que tenham se envolvido em acidentes fatais em linhas de alta velocidade nos últimos cinco anos. Os espanhóis alegam, porém, que o acidente não ocorreu em uma linha de alta velocidade, o que deveria manter a Renfe no leilão. O ministro César Borges afirmou recentemente que concorda com esse argumento.

No fim, foi decisivo para o adiamento o fato de que, com mais prazo, o governo poderia garantir mais concorrência na disputa. Até a semana passada, somente o consórcio de empresas francesas dava certeza de que teria condições de entregar sua proposta na data original, dia 16 deste mês, próxima sexta-feira.

Na semana passada, uma fonte que acompanhava as discussões com o consórcio da Espanha analisava que, com a garantia da participação da Renfe, seria praticamente impossível o governo não adiar mais o leilão. Isso porque o governo poderia ser questionado por fazer uma licitação com apenas um concorrente (o consórcio francês), quando havia outro interessado garantindo disputa se houvesse mais tempo para apresentar sua oferta.

O governo ainda acompanha a movimentação do consórcio da Alemanha, que nas últimas semanas demonstrou interesse, mas, segundo uma fonte, não deu garantias de que entraria, mesmo com o prazo dilatado.

ATRASOS E ADIAMENTOS   Continuação...