August 12, 2013 / 6:59 PM / 4 years ago

Petrobras: diluição do impacto cambial deverá ser feita em 7 anos

5 Min, DE LEITURA

RIO DE JANEIRO, 12 Ago (Reuters) - A diluição do impacto cambial no resultado financeiro da Petrobras poderá ser realizada em cerca de sete anos, prazo médio da dívida da estatal, disse nesta segunda-feira o diretor financeiro da empresa, Almir Barbassa.

O lucro líquido da petroleira no segundo trimestre superou as expectativas do mercado com uma mudança contábil para reduzir o efeito da alta do dólar na dívida.

A nova contabilidade teve um impacto positivo da ordem de 5 bilhões de reais no lucro de 6,2 bilhões de reais.

"A contabilidade de hedge coloca os números da empresa alinhados com o caixa", afirmou Barbassa durante entrevista a jornalistas.

Como resultado deste efeito benéfico da mudança contábil, a Petrobras poderá distribuir dividendos adicionais de 600 milhões de reais para detentores de ações ordinárias na segundo semestre, acrescentou o executivo.

"Não é distribuição extra, mas o que pode haver é a aprovação pelo Conselho de Administração (do dividendo a mais). Agora com lucro líquido maior, que não foi afetado pela variação cambial, há a oportunidade de aumentar participação das ON's nos dividendos referentes ao ano."

Mas o executivo pondera que a distribuição de dividendos além do esperado terá de passar ainda por decisão do Conselho e de acionistas. "Até o fim do ano ainda tem muita água para correr."

Segundo ele, a distribuição de dividendos para ações preferenciais deverão ter valor definido por percentual de 3 por cento do patrimônio líquido.

Barbassa explicou ainda que pela nova contabilidade, se o dólar recuar, o valor de perda cambial que migrou para patrimônio líquido será retirado do resultado. Caso contrário, se a moeda americana permanecer elevada, a empresa vai descontar tais perdas da receita com exportações, e a diluição será realizada ao longo de vários anos.

As ações preferenciais da Petrobras operavam em queda de 1,7 por cento às 15h42, enquanto as ações ordinárias tinham queda de 1 por cento. No mesmo horário, o Ibovespa subia 1 por cento.

Alavancagem

A alavancagem da Petrobras (relação entre o endividamento e patrimônio líquido) pode superar 35 por cento a partir do segundo semestre, mas esse aumento seria neutralizado com uma alta na produção até o final de 2014, afirmou o executivo.

"Mesmo ultrapassando os limites de 35 por cento de dívida líquida... duas vezes e meia o Ebitda, nós estamos vendo novas unidades este ano e ano que vem, vemos um crescimento continuado da produção que vai nos trazer mais recursos e proporcionar menos alavancagem da companhia", afirmou Barbassa.

A alavancagem ficou em 34 por cento ao final do segundo trimestre. Já o índice de dívida líquida/Ebitda ajustado caiu para 2,57 vezes.

A perspectiva de crescimento futuro deverá deixar agências de classificação de risco confortáveis, sem afetar, portanto, o rating da companhia, segundo ele.

Venda De Ativos, preços De Derivados

A Petrobras venderá ativos nos próximos meses, como parte do seu plano de desinvestimentos estimado em 9,9 bilhões de dólares, informou o diretor financeiro.

A maior parte do plano de desinvestimentos da companhia será executada ainda neste ano, informou o executivo durante teleconferência com investidores para analisar resultados da empresa do segundo trimestre, divulgados na última sexta-feira.

"Esperamos um semestre mais ativo em desinvestimento", afirmou.

A empresa desinvestiu neste ano cerca de 1,8 bilhões de dólares, lembrou Barbassa. A Petrobras vendeu participações em ativos na África para o BTG Pactual.

Paralelamente, como forma de melhorar seus resultados e garantir caixa suficiente para fazer frente ao robusto programa de investimentos sem extrapolar o endividamento, a estatal quer preços internos mais compatíveis com os do mercado internacional, disse o executivo.

"Estamos trabalhando intensamente para alinhar os preços internos de derivados de petróleo aos internacionais", afirmou Barbassa.

A estatal bateu recordes de refino no segundo trimestre, preparando-se com formação de estoques para algumas paradas em suas instalações, afirmou o diretor de Abastecimento, José Cosenza.

A Petrobras apresentou lucro líquido de 6,201 bilhões de reais no segundo trimestre, valor acima das estimativas do mercado, com um crescimento da produção de combustíveis vendidos a preços maiores e com a mudança contábil que evitou perda bilionária pela alta do dólar.

Com utilização de 99 por cento da capacidade de refino, a petroleira atingiu receita de vendas de 73,627 bilhões de reais, um aumento de 8,2 por cento em relação ao mesmo período do ano passado e de 2 por cento ante o primeiro trimestre, informou a companhia brasileira na sexta-feira.

Reportagem de Sabrina Lorenzi, Rodrigo Viga Gaier e Jeb Blount; Edição de Roberto Samora

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below