Governo adia leilão do trem-bala até 2014 para ter mais concorrência

segunda-feira, 12 de agosto de 2013 17:30 BRT
 

12 Ago (Reuters) - O governo anunciou nesta segunda-feira mais um adiamento do leilão do trem-bala, desta vez por pelo menos um ano, para evitar que o processo tivesse apenas um concorrente.

O governo poderá aperfeiçoar o edital durante este período, afirmou a jornalistas o ministro dos transportes, César Borges. Apesar do adiamento, o governo manteve a previsão de que o trem-bala entre em funcionamento até 2020.

A decisão foi motivada pelo interesse de trazer mais concorrentes para o projeto, e não por denúncias recentes envolvendo irregularidades de fabricantes de trens em licitações de metrô em alguns estados, disse Borges.

O adiamento foi antecipado com fontes pela Reuters nesta tarde.

Na semana passada, o governo recebeu manifestações dos consórcios alemão, liderado pela Siemens, e espanhol, que tem entre seus sócios a Talgo e a estatal Renfe, de que entrariam na disputa se tivessem mais prazo.

Se o governo não atendesse ao pleito e mantivesse o cronograma, que previa a entrega das propostas no dia 16 de agosto e o leilão no dia 19 de setembro, apenas o consórcio francës, liderado pela Alstom, estaria na disputa.

O presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, disse que, com o prazo adicional, é possível que empresas do Japão e Coreia do Sul, que no passado estavam entre os interessados, voltem para o processo.

"Queremos que a concorrência seja a maior possível. Essa licitação pode ser adiada sem prejudicar o prazo do projeto", disse Figueiredo.

O projeto do trem de alta velocidade vem sendo estudado desde o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em julho de 2011, o governo chegou a abrir a entrega de propostas, mas nenhum interessado se apresentou.

Como consequência, o governo mudou o modelo da concessão e separou a construção civil da ferrovia (parte mais cara e com mais riscos no projeto) da operação do serviço e fornecimento da tecnologia. (Por Leonargo Goy)