Paraguai terá em setembro linha de transmissão para receber mais energia de Itaipu

quarta-feira, 14 de agosto de 2013 15:48 BRT
 

Por Anna Flávia Rochas

SÃO PAULO, 14 Ago (Reuters) - O sistema de transmissão que permitirá ao Paraguai receber mais energia da hidrelétrica de Itaipu entrará em operação em setembro, mas não há expectativa de aumento brusco no volume da energia para o país vizinho.

O sistema, que inclui linha de transmissão de 347 quilômetros de extensão, vai elevar em 1.200 megawatts (MW) a capacidade de recepção de energia pelo Paraguai, mas o diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, disse que o aumento imediato de utilização de energia da usina pelo Paraguai deve ser de 200 MW, o que não prejudica o planejamento para abastecimento do Brasil.

"Esse crescimento já está dentro do previsto...Essa linha vai dar uma sobrevida por um período de 4, 5 ou 6 anos para o Paraguai, com o crescimento que, todo ano, pode aumentar na faixa dos 200 a 300 MW", disse Samek, em entrevista à Reuters.

"Esse é um crescimento que a gente considera natural, vendo o processo de aumento do PIB paraguaio", acrescentou, ao considerar um crescimento anual de cerca de 11 por cento da economia paraguaia para os próximos anos.

Com 14 mil MW de capacidade instalada, a hidrelétrica Itaipu pertence a Brasil e Paraguai e cada país tem direito a 50 por cento da energia produzida pela usina. Atualmente, o Paraguai utiliza, em média, menos de 10 por cento do total de energia produzida pela usina e vende o restante de sua parte ao Brasil.

Com o novo sistema de transmissão, o Paraguai terá reduzidos os gargalos na infraestrutura de transporte da energia e poderá usar mais energia principalmente no horário de pico, quando o consumo de energia do país é de cerca de 2,5 mil MW.

Todo ano em setembro, o Paraguai avisa o Brasil quanto pretende usar de energia da usina no ano seguinte. De 2012 para 2013, o aumento previsto foi de 8 por cento, disse Samek em janeiro.

No ano passado, o governo paraguaio disse que pretendia passar a utilizar mais energia de suas usinas binacionais, tanto com o Brasil quanto com a Argentina. Mas a maior utilização depende também do desenvolvimento industrial do país.   Continuação...