14 de Agosto de 2013 / às 19:21 / 4 anos atrás

Desembolsos do BNDES batem recorde, buscará mais recursos

Luciano Coutinho, presidente do BNDES em coletiva de imprensa em Brasília, em 2012. Nesta quarta-feira os empréstimos do banco bateram recorde no primeiro semestre. 05/12/2012Ueslei Marcelino

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) bateram recorde no primeiro semestre ao alcançarem 88,3 bilhões de reais, alta de 65 por cento sobre um ano antes, informou a instituição de fomento nesta quarta-feira.

Com a expansão, o banco já prevê a necessidade de receber mais recursos, provavelmente do Tesouro, para dar conta da projeção de financiamentos de entre 185 bilhões e 190 bilhões de reais em 2013, 30 por cento acima dos 156 bilhões de 2012, afirmou o presidente da instituição, Luciano Coutinho, a jornalistas.

Na primeira metade do ano, a expansão dos empréstimos foi generalizada e cresceu em todos os segmentos pesquisados, disse Coutinho. A indústria recebeu 29,4 bilhões de reais, uma alta de 93 por cento ante o primeiro semestre de 2012.

O setor de infra-estrutura obteve 27,3 bilhões de reais em empréstimos, alta de 36 por cento, enquanto a agropecuária recebeu 9,3 bilhões de reais, mais que o dobro do registrado um ano antes.

"O primeiro semestre revela o investimento crescente, o que contrasta com a expectativa não favorável do setor privado. Não corrobora esse sentimento privado (de desaceleração da economia)", disse Coutinho, descrevendo o resultado de desembolsos da primeira metade do ano como "surpreendente".

Segundo ele, um dos fatores para o crescimento dos desembolsos do BNDES foi a desaceleração na carteira de crédito dos bancos privados, diante do aumento da inadimplência e da expectativa de crescimento mais baixo do PIB.

Coutinho comentou que espera que uma retomada do crédito dos bancos privados para investimentos comece a se dar neste segundo semestre e se consolide ao longo do ano que vem. As duas maiores instituições financeiras privadas do país, Itaú Unibanco e Bradesco, informaram neste mês cortes em suas expectativas de crescimento de suas carteiras de crédito em 2013.

O presidente do BNDES disse que as concessões federais de rodovias, portos e aeroportos, além dos leilões de energia elétrica e do pré-sal deverão ajudar a sustentar o investimento no país.

"Nossa expectativa é de manutenção desse impulso (de investimento) talvez numa velocidade mais moderada. Olhando para consultas e enquadramentos não vemos desaceleração expressiva do investimento e temos a esperança que com a execução das concessões (...) esse estado de expectativa do setor privado se reverta", disse ele.

Perguntado sobre a situação das empresas do empresário Eike Batista, grande cliente do banco de fomento, Coutinho informou que as companhias do grupo EBX, que atravessam grave crise financeira e de confiança entre investidores, "tem ativos de alta qualidade para se reequacionar".

MAIS RECURSOS

Para fechar a conta dos empréstimos desse ano e cobrir a projeção de até 190 bilhões de reais em liberações em 2013, o BNDES está negociando com o governo federal a obtenção de mais recursos.

Coutinho afirmou que recursos para o banco estão garantidos até setembro, mas ainda falta dinheiro para atender à demanda do último trimestre, que costuma ser o mais aquecido do ano.

"Vamos precisar de uma suplementação, mas é difícil dizer de quanto", admitiu o executivo. "Temos tranquilidade para agosto e setembro e para o último trimestre é que vamos precisar desses recursos. Será um instrumento interno via Tesouro ou captação", acrescentou.

O BNDES também divulgou nesta quarta-feira que fechou o primeiro semestre com um lucro líquido de 3,2 bilhões de reais, uma alta de 20,4 por cento ante o mesmo período de 2012.

O resultado positivo aconteceu num período em que o banco manteve taxas de juros e spreads em patamares mais baixos para incentivar investimentos no país.

As operações de renda fixa do banco ficaram estáveis no semestre e somaram 5,1 bilhões de reais ao passo que a carteira de renda variável avançou 9,3 por cento e atingiu 965 milhões de reais.

"O lucro é uma composição de três efeitos: aumento das operações de crédito, melhoria da BNDESPAR (braço de participações do banco), e resultado de tesouraria bom", disse Coutinho, acrescentando que as operações de tesouraria tiveram um ganho de 1,8 bilhão de reais.

"Quando o juro futuro subiu nossa posição de hedge foi boa e, ao contrário dos demais bancos, nós ganhamos", disse ele.

Por Rodrigo Viga Gaier

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