15 de Agosto de 2013 / às 01:03 / em 4 anos

Prejuízo da Minerva sobe a R$196 mi por impacto cambial na dívida

Por Fabiola Gomes

SÃO PAULO, 14 Ago (Reuters) - O prejuízo da empresa de alimentos Minerva Foods, terceira maior em bovinos no país, subiu 50 por cento no segundo trimestre na comparação anual, atingindo 196 milhões de reais, por conta do efeito negativo da valorização cambial sobre a dívida da companhia.

A variação cambial teve um impacto não caixa de 214,9 milhões de reais no resultado trimestral da companhia. Sem o efeito cambial, a empresa teria registrado lucro de 18,6 milhões de reais, informou a companhia em comunicado nesta quarta-feira. No primeiro trimestre deste ano, a Minerva apurou lucro de 5,2 milhões de reais.

“Teve um impacto grande da variação cambial sobre a dívida. Cerca de 70 por cento da dívida está indexada ao câmbio, basicamente dólar”, disse o diretor financeiro da Minerva Foods, Edison Ticle, a jornalistas.

O dólar apresentou alta de 10,4 por cento em relação ao real no segundo trimestre.

O endividamento líquido da companhia no fim de junho somava em 1,729 bilhão de reais, contra 1,539 bilhão de reais apurados ao fim do primeiro trimestre.

A alavancagem da companhia, medida pela relação dívida líquida/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu para 3,31 vezes no segundo trimestre, contra 3,14 vezes do trimestre anterior.

GANHO OPERACIONAL

A empresa, contudo, acredita que a valorização do dólar ante o real irá refletir em aumento das vendas externas no terceiro trimestre.

“A recente desvalorização do real, aliada a nossa estratégia comercial com foco nas exportações, trará resultados ainda mais positivos para todos os investidores da Minerva”, disse o diretor presidente da companhia, Fernando Galletti de Queiroz, em comunicado.

As vendas para o mercado externo subiram 21,1 por cento em relação ao segundo trimestre do ano passado, impulsionadas pela retração da oferta mundial, forte demanda de países em desenvolvimento, principalmente na Ásia, e variação de 5,6 por cento do dólar médio do período em relação ao real.

A receita líquida da companhia subiu 22,8 por cento ante o segundo trimestre do ano passado, para 1,32 bilhão de reais, enquanto o custo das mercadorias vendidas subiu 22,4 por cento na mesma comparação.

A receita bruta com as exportações subiu 21,1 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, para 930 milhões de reais. Mas as vendas externas da divisão de carnes registraram alta de 32,3 por cento.

Já a receita bruta com o mercado interno subiu 26,1 por cento na comparação anual, para 470,6 milhões de reais, com a divisão de carnes apresentando crescimento de 20,8 por cento.

O diretor financeiro Edison Ticle ressaltou que o aumento das exportações e os ajustes para reduzir o ciclo de conversão de caixa, ou seja, o prazo para receber pagamentos, geraram bons resultados operacionais.

O Ebitda, indicador de geração de caixa operacional, subiu 19,3 por cento, para 134,4 milhões de reais, na comparação com segundo trimestre do ano passado. A margem Ebitda, contudo, recuou para 10,2 por cento, ante 10,5 por cento no segundo trimestre de 2012.

Além disso, o tempo de conversão de caixa, que no primeiro trimestre deste ano estava em 17,7 dias, caiu para 15,4 dias no segundo trimestre. E a companhia mantém a meta de reduzir este prazo a 12 dias, marca registrada anteriormente.

“Primeiro, teve rentabilidade boa, com margem Ebitda de dois dígitos. Trabalhando os prazos com recebíveis e fornecedores, reduzimos em 65 por cento a necessidade de capital de giro”, afirmou Ticle.

PERSPECTIVA

O executivo atribuiu ainda a melhora no desempenho operacional ao aumento do uso de capacidade instalada, que permite diluição de custos fixos.

No trimestre encerrado em 30 de junho, a Minerva utilizou 80,3 por cento de sua capacidade total, contra 74,7 por cento em igual período do ano passado.

O número de cabeças abatidas no trimestre somou 531,3 mil unidades, contra 442 mil do mesmo período no ano passado, um crescimento que atendeu, principalmente, o mercado externo.

O cenário positivo no mercado externo deve se estender ao longo do segundo semestre, tradicionalmente o mais forte para a indústria de carnes.

“Vemos a perspectiva de boa rentabilidade no semestre, a desvalorização cambial dá competitividade à industria, e temos oferta de gado para abate”, disse o executivo.

Ticle ressaltou que diante do forte ritmo das exportações brasileiras de carne bovina, e com o câmbio favorável, o Brasil pode retomar a liderança mundial no setor.

INCORPORAÇÃO

Após a divulgação do resultado, a Minerva Foods anunciou ainda a avaliação do patrimônio líquido contábil da Eurominerva Comércio e Exportação, conforme laudo da auditoria BDO.

O balanço patrimonial da Eurominerva indicou patrimônio líquido contábil de 648 milhões de reais.

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