15 de Agosto de 2013 / às 12:17 / 4 anos atrás

Economia brasileira desacelera no 2º tri e cresce 0,89%, aponta BC

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 15 Ago (Reuters) - A economia brasileira desacelerou no segundo trimestre deste ano, de acordo com um indicador do Banco Central, mantendo o tom de cautela no mercado em meio a sinais de instabilidade da atividade.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou expansão de 0,89 por cento no segundo trimestre sobre os três primeiros meses, de acordo com dados dessazonalizados divulgados nesta quinta-feira.

No primeiro trimestre, o indicador considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) mostrou expansão de 1,10 por cento, segundo dados revisados.

"O número sugere uma expansão de 0,9 por cento no segundo trimestre ante o trimestre anterior", afirmou o Espírito Santo Investment Bank em nota assinada pelo economista-chefe Jankiel Santos e pelo economista sênior Flávio Serrano, referindo-se ao crescimento do PIB medido pelo IBGE, que será divulgado no próximo dia 30.

"O problema é que o IBC-Br tem superestimado a performance da produção brasileira desde o terceiro trimestre de 2012. Portanto, mantemos nossa visão cautelosa em relação ao PIB e estimamos crescimento de 0,8 por cento no período", acrescentam os economistas na nota.

Esse resultado esperado ainda seria melhor do que a expansão de 0,6 por cento verificada pelo IBGE nos três primeiros meses do ano sobre o trimestre anterior.

Outros economistas também veem no número divulgado nesta manhã um indicativo de que o crescimento do PIB a ser anunciado pelo IBGE será maior do que no primeiro trimestre.

Em junho, o IBC-Br registrou crescimento de 1,13 por cento sobre maio, abaixo do esperado pelo mercado. Analistas consultados pela Reuters esperavam alta de 1,25 por cento no mês, de acordo com a mediana de 19 projeções, que variaram de 0,30 a 1,70 por cento.

O resultado, entretanto, foi melhor do que o de maio, quando houve recuo de 1,5 por cento, número também revisado ante contração de 1,4 por cento divulgado anteriormente.

A expansão em junho foi impulsionada principalmente pelo resultado da produção industrial no período, com crescimento de 1,9 por cento e destaque para bens de capital.

O movimento também veio das vendas no varejo que, apesar de ainda mostrarem pouco fôlego, registraram expansão mensal de 0,5 por cento em junho.

Na comparação com junho de 2012, o IBC-Br avançou 3,24 por cento e acumula em 12 meses alta de 2,12 por cento, ainda segundo os dados dessazonalizados do BC.

ATIVIDADE IRREGULAR

Entretanto, a atividade econômica brasileira, destacadamente a indústria, vem mostrando comportamento irregular, o que ainda limita o otimismo.

"Nada sugere melhora substancial em relação ao primeiro trimestre. A indústria vem mostrando muita oscilação e serviços sugerem um comportamento apenas razoável. Do ponto de vista das famílias, renda e mercado de trabalho, tudo isso sinaliza desempenho apenas razoável na margem", afirmou o economista da Tendências Sílvio Campos Neto.

Ele estima expansão de 0,5 por cento no segundo trimestre ante o período anterior, pouca alteração ante o resultado dos três primeiros meses.

A baixa confiança tem sido um dos principais problemas para uma retomada da economia neste ano, agravada recentemente pelas manifestações que pararam várias cidades no Brasil, em meio à própria fraqueza da atividade e ao cenário de inflação elevada.

Entre os vários setores, tanto a confiança do consumidor quanto da indústria tiveram em julho o menor nível desde 2009, e o governo já avalia que o terceiro trimestre deve ter desempenho econômico aquém do visto entre abril e junho.

"A confiança vai ser a grande preocupação do segundo semestre. Com a sociedade com baixa confiança, as empresas não investem, as famílias pensam mais antes de consumir e passa a haver problema de demanda mais fraca", completou o economista da Tendências.

As expectativas do mercado para a expansão do PIB neste ano estão cada vez mais perto de 2 por cento. Pesquisa Focus do BC aponta projeção dos economistas de 2,21 por cento.

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