ANÁLISE-Varejistas fazem ajustes para crescer em cenário menos animador

sexta-feira, 16 de agosto de 2013 16:55 BRT
 

Por Marcela Ayres

SÃO PAULO(Reuters) - Depois de se beneficiarem com a expansão da renda média dos brasileiros nos últimos anos, as empresas de varejo estão ajustando processos internos para conseguir crescer em um ambiente econômico mais desafiador.

Redução de despesas, aposta em novos nichos de mercado e o aumento do peso do crediário foram algumas das estratégias sinalizadas pelas companhias ao longo do primeiro semestre, quando empresas como Lojas Renner, Pão de Açúcar e Natura apresentaram lucros menores na comparação anual.

A movimentação das empresas acontece em um momento de clara mudança no apetite do consumidor. Na quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou alta de 3 por cento nas vendas do varejo no primeiro semestre, menor avanço desde o segundo semestre de 2005.

A expansão foi guiada pelo comércio de combustíveis e lubrificantes, segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), que identificou desaceleração sobretudo nos setores de vestuário, móveis, papelaria e supermercados.

O desempenho das vendas do varejo teve como pano de fundo um cenário menos promissor para as compras: em junho, a taxa de desemprego subiu para 6 por cento, ante 5,8 por cento em maio, no sexto mês seguido sem ceder. Ao mesmo tempo, o rendimento da população recuou pelo quarto mês consecutivo.

"O forte ritmo de expansão tinha um prazo de validade", afirmou Claudio Felisoni, coordenador-geral do Programa de Administração de Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração, acrescentando que as vendas em 2012 foram também ajudadas pela interferência do governo com políticas de incentivo ao consumo, desonerações fiscais e ação agressiva na diminuição dos juros.

Com a alteração dessas variáveis em 2013, a situação mudou e deve seguir assim no restante do ano, disse Felisoni. "O varejo não vai crescer na velocidade que se esperava, e a desaceleração pode se repetir em 2014", afirmou.

Já lidando com essa conjuntura, algumas companhias concentraram esforços na redução de custos internos na primeira metade do ano. O Pão de Açúcar cortou as despesas gerais e administrativas em 10,1 por cento ante igual período de 2012.   Continuação...