Dólar dispara 2,5% e encosta em R$2,40; BC anuncia swap para 2a

sexta-feira, 16 de agosto de 2013 20:16 BRT
 

Por Tiago Pariz e Bruno Federowski

SÃO PAULO, 16 Ago (Reuters) - Catapultado por preocupações relacionadas à economia brasileira e ao programa de estímulo dos Estados Unidos, o dólar bateu dois recordes no fechamento desta sexta-feira: teve a maior alta diária ante o real desde o fim de 2011 e encerrou no maior patamar em mais de quatro anos.

Dúvidas sobre a política de intervenção do Banco Central brasileiro no mercado de câmbio também alimentaram a disparada da moeda norte-americana, que chegou a encostar em 2,40 reais perto do final dos negócios.

O dólar subiu 2,46 por cento para 2,3960 reais na venda, maior alta diária desde 23 de novembro de 2011, quando o avanço tinha sido de 2,94 por cento. Além disso, é o maior nível de fechamento para a divisa desde 3 de março de 2009, quando ficou a 2,411 reais.

Na máxima do dia, a divisa chegou a ser cotada a 2,3987 reais. O dólar subiu 5,36 por cento ante o real na semana, e no ano acumula alta de 16,99 por cento.

"Um conjunto de fatores atuou no câmbio. Primeiro, o dólar está forte lá fora por causa expectativa de redução dos estímulos por parte do Fed. Depois, o (ministro da Fazenda, Guido) Mantega estragou ainda mais porque falou que o câmbio mais depreciado é melhor para a indústria e que o patamar do câmbio mudou mesmo", disse um operador de banco brasileiro.

O dólar ganhava força em grande parte dos mercados globais após dados positivos sobre a economia dos EUA alimentarem expectativas de que o Federal Reserve, banco central do país, diminua seu programa estímulo monetário já em setembro, reduzindo a oferta mundial de dólares.

No Brasil, a alta da divisa dos EUA ganhou ainda mais força devido às preocupações com a fraqueza da economia. Segundo pesquisa Reuters, a fragilidade da economia doméstica faz com que a moeda brasileira seja uma da mais vulneráveis à provável redução do estímulo dos EUA.

Em São Paulo, no entanto, o ministro Mantega procurou dissipar o pessimismo dos investidores, dizendo que o câmbio mais desvalorizado beneficia a indústria brasileira. O ministro reconheceu, no entanto, que a volatilidade das cotações não beneficia a economia e deve ser combatida.   Continuação...