20 de Agosto de 2013 / às 20:10 / em 4 anos

Dólar cai quase 1% ante real em dia de forte atuação do BC

Brasileiro troca reais por dólares em casa de câmbio no centro do Rio de Janeiro. O dólar interrompeu série de seis altas e fechou em queda ante o real nesta terça-feira, após o Banco Central atuar três vezes no mercado e anunciar mais uma leilão de swap cambial para a próxima sessão, endurecendo sua postura. 4/08/2003 REUTERS/Bruno Domingos

Por Tiago Pariz e Bruno Federowski

SÃO PAULO, 20 Ago (Reuters) - O dólar interrompeu série de seis altas e fechou em queda ante o real nesta terça-feira, após o Banco Central atuar três vezes no mercado e anunciar mais uma leilão de swap cambial para a próxima sessão, endurecendo sua postura.

A moeda norte-americana perdeu 0,90 por cento, para 2,3941 reais na venda, após tocar, na mínima do dia, a cotação de 2,3846 reais. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,86 bilhões de dólares.

“O BC botou o mercado para baixo. Fez leilão e deu liquidez. Acredito que o mercado agora vai acalmar”, afirmou o operador de câmbio da B&T Corretora Marcos Trabbold. A divisa vinha numa sequência de escalada que a fez romper o patamar 2,42 reais no intradia na véspera.

Para derrubar a cotação da moeda norte-americana, a autoridade monetária realizou dois leilões de swap cambial tradicional e um leilão de venda de dólares com compromisso de compra.

Nas duas ofertas de swap, o BC vendeu todos os 20 mil contratos. No primeiro leilão, foram oferecidos novos papéis com vencimento em 2 de janeiro do ano que vem, com volume financeiro de 993,4 milhões de dólares. No segundo, de rolagem e prazo para 1º de abril de 2014, o volume financeiro foi de 986,3 milhões de dólares.

Depois, o BC realizou leilão de linha, no qual foram ofertados 4 bilhões de dólares com compromisso de recompra. Logo após os horários finais das ofertas, a divisa manteve o ritmo de queda.

Os operadores afirmaram que o efeito na cotação do leilão de linha foi minimizado naquele momento porque os bancos compram o dólar e sabem que terão de devolvê-lo nas duas datas estipuladas pelo BC: 2 de janeiro e 1º de abril de 2014.

“A exposição dos bancos fica zerada. O efeito na cotação é menor. O efeito é de prover liquidez”, afirmou o operador de um banco brasileiro.

Para reforçar a atuação, o BC anunciou durante a tarde que fará mais um leilão de swap cambial tradicional na quarta-feira, com a finalidade de rolar contratos que venceriam no início de setembro. A autoridade monetária ofertará 20 mil contratos com vencimento em 1º de abril de 2014 e ocorrerá entre 10h30 e 10h40, com o resultado sendo divulgado a partir das 10h50.

Após a realização deste leilão, restará apenas 20,8 mil contratos com vencimento em 2 de setembro de 2013. O BC anunciou na semana passada que, a partir de segunda-feira, daria início à rolagem desse lote de contratos de swap.

ESTRATÉGIA

Na segunda-feira, o dólar fechou com alta de 0,83 por cento, a 2,4159 reais, reforçando a maior cotação em mais de quatro anos. Após o fechamento da sessão, o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, sublinhou que aqueles que “apostam em movimentos unidirecionais da moeda” poderão ter perdas e reforçou que continuará ofertando proteção aos agentes econômicos e liquidez aos mercados.

“As cotações oscilam e a concentração de posições em uma única direção poderá trazer perdas aos que apostam em movimentos unidirecionais da moeda”, disse Tombini por meio de nota.

O economista do Deutsche Bank Securities José Carlos Faria, em relatório, reforçou que a intervenção do Banco Central tem como objetivo suavizar a valorização, e não interrompê-la.

E lançou dúvidas sobre a autonomia do BC para conduzir a política monetária. “O Banco Central aparentemente teme os efeitos potenciais (do câmbio) na inflação... Uma das principais questões é saber se as autoridades do BC terão autonomia para apertar a política monetária para controlar a inflação caso a depreciação do real persista”, informou o banco em nota.

Para o banco japonês Nomura, as atuações do BC levam a crer que o padrão de equilíbrio da moeda, após esse movimento de “overshooting”, está ao redor de 2,30 reais. “Acreditamos que o patamar está ao redor de 2,30, um nível que o BC já defendeu”, afirmou o diretor de pesquisa para mercados emergentes da instituição, Tony Volpon.

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