21 de Agosto de 2013 / às 12:52 / 4 anos atrás

Alimentos e transportes caem menos e IPCA-15 sobe 0,16% em agosto

Cliente compra cebolas em um mercado de São Paulo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou a alta em agosto a 0,16 por cento em meio à menor queda dos preços de alimentos e dos transportes, mas ainda assim a inflação em 12 meses se afastou mais do teto da meta. 28/04/2013.Paulo Whitaker

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 21 Ago (Reuters) - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou a alta em agosto a 0,16 por cento em meio à menor queda dos preços de alimentos e dos transportes e aceleração do índice de difusão, mas ainda assim a inflação em 12 meses se afastou mais do teto da meta.

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, o IPCA-15, prévia da inflação oficial, acumulou alta de 6,15 por cento em 12 meses, depois de chegar a 6,40 por cento até julho. No mês passado, o índice subiu 0,07 por cento. A meta do governo é de 4,5 por cento, com tolerância de 2 pontos percentuais.

Ambos os resultados ficaram levemente acima da expectativa em pesquisa da Reuters, cuja mediana das projeções apontou que o indicador teria alta de 0,15 por cento em agosto e de 6,13 por cento em 12 meses.

Além disso, o índice de difusão aumentou neste mês para 60,5 por cento, ante 55,9 em julho, segundo o economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano.

"Há um reforço da ideia de que a situação da inflação ainda é desconfortável apesar dos números baixos, porque passados os efeitos temporários ela tende a acelerar. E o último trimestre é sazonalmente desfavorável", disse ele.

SAÚDE X TRANSPORTES

O IBGE destacou a aceleração em agosto dos preços de Saúde e Cuidados Pessoais para 0,45 por cento, com impacto de 0,05 ponto percentual no índice do mês. Educação também acelerou, para 0,69 por cento, representando impacto de 0,03 ponto percentual.

Mesmo desacelerando a alta dos preços para 0,56 por cento, o grupo Habitação representou o maior impacto de alta em agosto, de 0,08 ponto percentual.

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Gráfico de inflação link.reuters.com/kuw76s

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Por outro lado, a queda dos preços de Transportes foi de 0,30 por cento em agosto, ante recuo de 0,55 por cento no mês anterior, diminuindo o impacto para baixo a 0,06 ponto percentual.

A perda de ímpeto deflacionário também foi registrada no grupo Alimentação e Bebidas, que com recuo de 0,09 por cento em agosto ante queda de 0,18 por cento em julho apresentou impacto negativo de 0,02 ponto percentual.

O resultado do IPCA-15 também mostrou aceleração em relação ao IPCA de julho, quando foi registrada alta de 0,03 por cento, a menor taxa em três. Mas em 12 meses houve desaceleração, após alta acumulada em julho de 6,27 por cento no IPCA.

CÂMBIO

As atenções voltam-se agora para os efeitos da alta recente do dólar sobre os preços. O dólar já subiu quase 20 por cento desde o final de abril, chegando esta semana ao nível de 2,42 reais, diante da desconfiança dos investidores com a economia brasileira e as expectativa de redução dos estímulos dos Estados Unidos.

Economistas avaliam que o efeito já começa a ser sentido, embora isso ainda não seja um consenso.

Para Fernando Parmagnani, economista da Rosenberg & Associados, a alta de 0,62 por cento de Artigos de Residência, após queda de 0,06 por cento em julho, é um sinal disso.

"Isso porque inclui eletrônicos e produtos que são fortemente influenciados pela variação do câmbio por causa dos materiais importados", disse ele.

Nas contas de Parmagnani, os itens que têm influência dos preços externos mostraram alta de 0,29 por cento no IPCA-15 de agosto ante queda de 0,02 por cento em julho, destacando o impacto do câmbio.

Já Serrano, do Espírito Santo, acredita que o efeito do câmbio será sentido mais a partir do quarto trimestre.

De qualquer modo, a disparada recente da moeda norte-americana levou BC e Ministério da Fazenda a se unirem para tentar combater a volatilidade nos mercados.

Ao mesmo tempo, com a inflação dando dor de cabeça ao governo e abalando a confiança do consumidor, a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, apressaram-se para reafirmar que a situação está sob controle.

Esse é o cenário que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC vai encarar na próxima semana, quando se reunir para definir o próximo patamar da Selic, atualmente em 8,5 por cento ao ano.

"Os juros devem continuar a subir, mas ainda estamos um pouco céticos em relação a quanto. Vai pesar o medo de que a atividade desacelere mais intensamente", disse Serrano, esperando nova alta de 0,5 ponto semana que vem e outra de 0,25 ponto na reunião seguinte.

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